Qualquer cristão pode participar da ceia?

Perguntar se qualquer cristão pode participar da ceia à mesa do Senhor é como perguntar se qualquer pessoa com carteira de habilitação pode dirigir. A resposta para as duas perguntas é “sim”. Todo membro do corpo de Cristo tem o seu lugar à mesa do Senhor e todo motorista habilitado pode dirigir seu veículo. Porém pela mesma razão que um motorista habilitado, porém alcoolizado, não deve dirigir, um cristão em pecado não deve participar da ceia à mesa do Senhor.

Mas quem pode julgar se a pessoa está ou não em pecado? É claro que apenas Deus conhece o coração de cada um, mas a sua palavra nos dá instruções claras para julgarmos, não a pessoa, mas a condição em que ela se encontra. É o que vemos Paulo exortando os cristãos em Corinto a fazerem no capítulo 5 daquela epístola: “Não julgais vós os de dentro?” (1 Co 5:12). Portanto o Senhor deu à assembleia autoridade para julgar o mal em seu meio. Somos exortados a julgar em diversas ocasiões:

(Jo 7:24) “Julgai segundo a reta justiça”.

(1 Co 6:2-5) “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo ? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas ? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos ? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Para vos envergonhar o digo: Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos ?”.

(1 Co 14:29) “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem“ (o que foi falado).

A mesa do Senhor é onde expressamos que há um só pão, um só corpo, do qual fazem parte todos os verdadeiros crentes. Por esta razão a ordem em 1 Co 10 é primeiro o vinho e depois o pão. Primeiro o pecador precisa ser lavado pelo sangue de Cristo para então ser parte do corpo de Cristo.

(1 Co 10:16-17) “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo ? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo ? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão”.

A ceia do Senhor, celebrada à mesa do Senhor, é a recordação do sacrifício de Cristo na cruz, por isso em 1 Coríntios 11 a ordem é primeiro o pão e depois o cálice, ou seja, a representação do corpo morto de Jesus e de seu sangue derramado.

(1 Co 11:23-26) “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão ; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice , dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice , anunciais a morte do Senhor , até que ele venha”.

Alguns alegam que a participação de alguém na ceia do Senhor é responsabilidade unicamente da pessoa, tentando basear-se em (1 Co 11:28) “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice“. A questão é que a passagem não está falando de julgamento de pecado, mas do examinar-se para constatar que sua participação não é por algum mérito ou capacidade própria, mas que depende inteiramente da obra de Cristo na cruz. É por isso que a ordem é“assim coma do pão e beba do cálice” , ou seja, depois de examinada a pessoa come, e não deixa de comer.

Baseados nessa passagem alguns recebem indistintamente qualquer pessoa para participar da ceia, desde que a pessoa seja evangélica. Mas e se ela for católica, por que não poderia participar? Um católico também professa ser cristão, e impedi-los de participar seria fazer distinção no corpo de Cristo (dentro da premissa falsa de que cabe ao indivíduo, e não à igreja, julgar a si mesmo). Os católicos verdadeiramente convertidos a Cristo são também membros do corpo. Eu mesmo fui um, pois apenas abandonei o catolicismo um ano depois de minha conversão. Durante todo aquele tempo eu tinha absoluta certeza de minha salvação pela fé, talvez uma certeza que muitos cristãos, principalmente pentecostais, não têm, já que creem na manutenção da salvação por conduta e obras de perseverança.

Em 1 Coríntios5 vemos que a assembleia deve excluir da comunhão alguém em pecado. Se a assembleia tem autoridade para excluir ela tem autoridade para receber. Se fôssemos nos basear no argumento de que qualquer membro do corpo de Cristo tem o direito de ser recebido à comunhão, então aquele que foi excluído em 1 Co 5 poderia voltar no dia seguinte dizendo que iria partir o pão alegando que é um irmão e membro do corpo de Cristo e por isso deveria ser recebido à mesa. No entanto a ordem clara do apóstolo foi: “Com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Co 15:11-13).

A mesa é do Senhor e nós somos apenas os “porteiros” ou “policiais rodoviários” (voltando à analogia do motorista alcoolizado). Uma pessoa em pecado não pode ser recebida à mesa, ainda que seja membro do corpo de Cristo, pois isto contaminaria toda a massa como diz em 1 Coríntios 5:6 “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”.

Portanto quando alguém chega dizendo-se cristão é preciso primeiro saber o estado daquela pessoa. Será que ela está em pecado moral? Está vivendo de roubos ou pratica imoralidade, prostituição, fornicação, etc.? Será que traz algum mal doutrinário, como afirmar que Jesus não seja Deus ou que a salvação não é pela obra do Calvário? Ou quiçá esteja conectada a algum sistema religioso sectário, o que pode ser chamado de pecado eclesiástico? Em qualquer um destes casos ela não poderá ser recebida até resolver a questão. Não fazer isto é abrir a mesa para pessoas vivendo em adultério ou tendo relações sexuais fora do matrimônio, ou praticando crimes na sociedade. Também estaria recebendo até para Testemunhas de Jeová, Mórmons e Espíritas, pois se você perguntar a eles se são membros do corpo de Cristo eles dirão que sim, mesmo participando de religiões que negam a divindade de Cristo.


Mario Persona é palestrante, professor e consultor de estratégias de comunicação e marketing e autor dos livros “Laura Loft - Diário de uma recepcionista”, “Coleção O que respondi...”Coleção O Evangelho em 3 Minutos”, “Meu carro sumiu!”, “Quero um refil!”, “Crônicas para ler depois do fim do mundo”, “Dia de Mudança” (também em inglês: “Moving ON”), “Marketing de Gente”, “Marketing Tutti-Frutti”, “Gestão de Mudanças em Tempos de Oportunidades”, “Receitas de Grandes Negócios” e “Crônicas de uma Internet de verão”.

Mario Persona participou também como autor convidado das coletâneas “Os 30+ em Atendimento e Vendas no Brasil”, “Gigantes do Marketing”, “Gigantes das Vendas”, “Educação 2007”, “Professor S.A.” e “Coleção Aprendiz Legal”, além de ter sido citado como “Case Mario Persona” no livro “Os 8 Pês do Marketing Digital”. Traduziu obras como “Marketing Internacional”, de Cateora e Graham, “Administração”, de Schermerhorn, “Liberte a Intuição”, de Roy Williams, além de diversos livros de comentários sobre a Bíblia.

O autor é convidado com frequência para palestras, workshops e treinamentos de temas ligados a negócios, marketing, comunicação, vendas e desenvolvimento pessoal e profissional. Alguns temas são: Gestão de Mudanças, Criatividade e Inovação, Clima Organizacional, Gestão do Conhecimento, Comunicação, Marketing e Vendas, Satisfação do Cliente, Oratória, Marketing Pessoal, Qualidade Vida-Trabalho, Administração do Tempo, Segurança no Trabalho, Controle do Stress e Meio-Ambiente

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