O arrebatamento será na metade da última semana?

Sua dúvida é se o arrebatamento da igreja ocorrerá na metade da última semana de anos mencionada por Daniel no capítulo 9 de seu livro. A igreja nunca aparece na profecia porque a profecia fala de Israel e do mundo. Portanto em Daniel a prova da Igreja ser arrebatada antes dos 7 anos finais está justamente na falta de um número de anos suficiente para fechar a conta feita na profecia. Vejamos:

(Dn 9:23-24) “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão. Setenta semanas [490 anos] estão determinadas sobre o teu povo [Isaíasrael], e sobre a tua santa cidade [Jerusalém] ,”.

Considerando que os eventos descritos a seguir e culminando com a destruição de Jerusalém e do templo já ocorreram em um período de (490-7) anos, então podemos afirmar que aqui o termo “semana” refere-se a anos. Na verdade a palavra “semana” não aparece no original, que diz mais ou menos assim: “Setenta setes (ou setenta sétimos) estão determinados”.

(Dn 9:24) “...para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados,”.

O sentido aqui é de a transgressão chegar ao seu fim, ao seu ponto final, ou seja, depois da rejeição do Messias não haverá transgressão maior que esta. Na continuação Israel terá também seus pecados perdoados, o que pode ser o significado da segunda parte.

“... E para expiar a iniquidade,”.

Embora a obra da expiação tenha sido feita na cruz, os seus efeitos no que diz respeito a Israel (que é o assunto aqui) só serão levados a termo no futuro, quando um remanescente reconhecer o Messias e crer. Então a nação irá desfrutar da obra já consumada de Cristo na cruz.

“...E trazer a justiça eterna,”.

Aqui é o Milênio, com Israel vivendo sob um Rei justo, Jesus, cuja justiça é efetivamente eterna, ainda que o Milênio seja apenas um período de tempo.

“...E selar a visão e a profecia,”.

Toda a profecia culmina em Jesus e na sua obra perfeita, não apenas a que foi realizada na cruz, mas também todos os seus desdobramentos que incluem a sua vinda para estabelecer o seu Reino. Portanto, no fim dos 490 anos ou setenta semanas representa também o fim ou cumprimento desta profecia.

“...E para ungir o Santíssimo [lugar]”.

No início do Milênio o templo que Ezequiel descreve (cap. 40-44) será consagrado em Jerusalém e o Senhor será a sua glória como aconteceu na inauguração do templo de Salomão.

(Dn 9:25) “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém,”.

Esta ordem você encontra em Neemias 2:1-8 dada por Artaxerxes.

“...Até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos”.

Entre a ordem de restaurar e a morte de Cristo (devia ser sua coroação, mas lhe deram por trono uma cruz) passaram-se 7 semanas (49 anos) mais sessenta e duas semanas (434 anos). Isso já é história. Alguém calculou os anos descontando os erros de calendário e chegou à data da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e não da cruz. Seja o que for, a diferença é de dias.

(Dn 9:26) “E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo;”.

O Messias cortado refere-se à morte de Cristo. Outra tradução diz: “...será cortado e não terá nada”.

“...E o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações”.

Aqui não é “o príncipe que há de vir”, mas o seu povo, pois se trata do povo romano que destruiu Jerusalém e o Templo no ano 70 DC. O “príncipe” virá depois, e ele é o anticristo, mas seu povo já estava lá atrás agindo conforme a profecia.

É aqui que existe uma lacuna que a profecia não revela porque a Igreja ainda era um mistério para os profetas, e só seria revelada muito depois ao apóstolo Paulo. Repare que é aqui que dá para encaixar os dois mil anos que já se passaram e que não entram na contagem dos (490-7) anos.

Se tentarmos encaixar o arrebatamento na metade da última semana de 7 anos que falta aqui ou no seu final, ou seja, quando Cristo vem para reinar, a conta simplesmente não fechará. Teríamos 69 semanas (483 anos), mais umas 287 semanas (2000 anos), mais 1 semana (7 anos). Ou a aritmética profética está dando um erro de 2 mil anos ou teremos de concluir que o relógio profético parou com a rejeição e morte de Jesus e só voltará a bater quando o anticristo firmar uma aliança com muitos no início da última semana. Este é o assunto do próximo versículo:

(Dn 9:27) “E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador”.

Portanto, vejo que a ordem dos acontecimentos é esta:

​1. Sai a ordem para restaurar Jerusalém (ne).

​2. O Messias vem e é tirado (morto).

​3. O povo romano (do qual será o anticristo) destrói Jerusalém e o Templo.

​4. O príncipe daquele povo que destruiu a cidade e o Templo faz uma aliança.

​5. Na metade da semana ele rompe a aliança de forma hostil e idólatra.

​6. Ele irá assolar os judeus fiéis até o fim (da semana de anos).

Para acompanhar melhor sugiro a leitura dos livros “Acontecimentos Proféticos” e “Questões Proféticas”.