Você segue a doutrina de Juan Carlos Ortiz?

Fico contente por saber de seu desejo de adorar o Senhor livre dos sistemas criados por homens e fora da confusão em que se transformou a cristandade. Infelizmente você não encontrará multidões de irmãos congregados ao nome do Senhor somente, valorizando o nome do Senhor e a verdade de que há um só corpo.

No início do século 19 houve um movimento muito forte neste sentido, mas como acontece com tudo o que se refere ao testemunho do Senhor neste mundo (foi assim com Israel e é assim com a Igreja), logo as divisões e a fraqueza generalizada deixaram sua marca. Hoje há assembleias em praticamente todo o mundo, porém em sua maioria são pequenos grupos de irmãos congregados em salões, casas, garagens etc.

Como expliquei na mensagem anterior, no Brasil há poucas assembleias que se mantêm em comunhão entre si e com outras assembleias espalhadas pelo mundo apenas pela graça de Deus e pela ação do Espírito Santo, já que não existe nenhum poder central humano ou “sede” regendo isso. Por iniciativa própria, os irmãos se visitam e se comunicam regularmente. Tenho filhos morando nos Estados Unidos e se congregando em uma assembleia lá.

Quanto ao que perguntou sobre Juan Carlos Ortiz (eu li “O Discípulo” há muitos anos, mas não me lembro mais do conteúdo), e ao grupo que se originou através dele, quero esclarecer que não existe qualquer ligação entre os grupos que seguem os ensinamentos daquele autor e os irmãos com os quais tenho comunhão, exceto pelo fato de também serem crentes em Jesus.

Não sei muito sobre esses grupos, mas acho que têm a ver com a ideia de “igrejas em células”, “G-12”, “igreja em casa” e outros nomes dados a movimentos assim. Uma vez conheci um irmão de Belo Horizonte que participava de um movimento desse tipo e dizia se reunir em casas. Ele contou que funcionava numa espécie de pirâmide, com cada discípulo ficando sujeita a um discipulador e assim por diante. Ele me contou de algumas coisas que achei absurdas, como o discípulo fazer uma lista de seus pecados e fraquezas e entregar para o discipulador, que passaria a cobrá-lo quanto à erradicação dessas falhas. Quem tem a lista do outro obviamente tem poder sobre ele, para bem e para mal.

De qualquer modo estou apenas especulando, pois não sei as pessoas que você mencionou seguem algum desses grupos (apesar de se reunirem em casas, eles geralmente estão ligados de algum modo a alguma denominação ou líder).

Quando falo sobre estar congregado ao nome do Senhor isso implica em algumas premissas, e a primeira delas é a separação.

Primeiro é preciso reconhecer que o Senhor conhece os seus, mas que minha responsabilidade é identificar a iniquidade e separar-me dela. Se entendo como iniquidade dividir o testemunho do “um só corpo” e negar a suficiência do nome de Jesus como identificação, adotando diferentes nomes, então minha responsabilidade é separar-me disso.

(2Tm 2:19) Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade .

Em seguida é preciso identificar os vasos (pessoas) de honra e desonra e separar-me da comunhão com aqueles vasos que, dizendo-se irmãos, não agem assim (veja 1 Coríntios 5:11).

(2Tm 2:20-21) “ Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar (separar) destas coisas , será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”.

Finalmente, não devemos nos separar para ficarmos sozinhos, mas para nos congregarmos segundo os ensinamentos da Palavra de Deus e com aqueles que reconhecem a autoridade do Senhor de boa consciência. “ Segue... com” significa congregar com aqueles que seguem a justiça, a fé, o amor e a paz com um coração puro (creio que puro aqui é no sentido de simples).

(2Tm 2:22) Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor .

Resumindo, a ideia não é de apenas estar congregado pelo Espírito Santo para o nome de Jesus, mas também distinguir o estado arruinado da cristandade e apartar-se do erro.