Pecado, justiça e juízo

João 16:8-11

Após Caim ter matado seu irmão Abel, Deus lhe perguntou: “Onde está seu irmão?”. Caim alegou que não era responsável por seu irmão e ouviu de Deus a sentença: “Da terra o sangue do seu irmão está clamando. Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão” (Gênesis 4:9-11). Algo semelhante acontece aqui.

Abel é uma figura de Jesus, que foi igualmente entregue à morte por seus irmãos judeus. Jesus revela aos discípulos que o Espírito Santo viria preencher a lacuna criada por sua rejeição e morte, e assim convencer “o mundo do pecado” (João 16:8). É como se Deus perguntasse: “Onde está meu filho?”. A presença do Espírito Santo no mundo é a evidência de que Jesus foi expulso daqui. A vinda do Espírito torna o mundo convicto do pecado.

Além de convencer o mundo do pecado, o Espírito o convence “da justiça”. Jesus, o justo aos olhos do Pai, foi considerado pelos judeus como possuído por demônio. Deus atestou sua justiça ressuscitando-o de entre os mortos. O Espírito só viria depois de Jesus ressuscitar e ir para o Pai, que o chamou de “meu servo, o Justo” (Is 53:11). A presença do Espírito aqui convence o mundo da justiça.

Jesus diz ainda que a vinda do Espírito Santo convenceria o mundo “do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado” (João 16:11). Isso demonstra que Satanás é o príncipe deste mundo e os seres humanos seus súditos. Ele conseguiu liderar a humanidade em sua rejeição ao Filho de Deus. Como fora prometido no Éden, a serpente feriu o calcanhar do descendente da mulher, mas teve sua cabeça esmagada por este.

Na cruz Satanás foi vencido e condenado. Agora só falta ele receber a pena e ser lançado no “fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos” (Mateus 25:41). O lago de fogo não foi preparado para o homem, mas para os anjos. Quem insiste em permanecer na incredulidade irá compartilhar com os anjos caídos de um destino que Deus não havia preparado para o homem.

Há quem diga que se Jesus estivesse aqui o mundo não teria tanta tristeza e dor. É verdade, se ele tivesse sido recebido teria dado início ao seu reino aqui. Mas ele não está aqui, e sua ausência torna o homem ainda mais culpado. O Espírito não desceu para endireitar o mundo; Ele veio para tornar o mundo convicto do pecado, da justiça e do juízo. E para consolar, edificar e exortar os que pertencem a Cristo.

O fato de o Espírito Santo habitar hoje no corpo de Cristo, que é a igreja, formada por todos os salvos por Jesus, cria uma espécie de barreira para Satanás não agir livremente. Sim, pode crer que o mundo ficará muito pior depois que a Igreja e o Espírito forem tirados daqui. Jesus voltará para buscar os que são seus, aqueles aos quais foi dado tudo o que é dele. “Tudo”? Sim, saiba nos próximos 3 minutos.

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Toda a verdade

João 16:12-15

Jesus revela aos discípulos que ainda tem muito para dizer, mas eles não podem suportar. A verdade é absoluta, mas sua transmissão é progressiva e sua recepção depende da condição do homem. Falta algo a eles, e esse algo é o Espírito Santo que desceria alguns dias depois para habitar neste mundo. Até aqui o Espírito agia para os seus. A partir de então agiria nos seus.

A vinda do Espírito Santo após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus capacitaria os apóstolos a receberem a revelação de TODA a verdade, e os crentes a compreendê-la. O Espírito os guiaria a “toda a verdade” (João 16:13). Ouviu isso: TODA a verdade foi entregue aos apóstolos e pode hoje ser encontrada no Novo Testamento, tanto de forma explícita, como implícita. É só por meio do Novo que é possível entender o Velho Testamento.

Não existe mais verdade do que a que já foi revelada aos apóstolos. Nada mais há para ser revelado. Tudo agora está na completa Palavra de Deus, à qual você e eu temos acesso. Surpreso? Então veja o que Jesus diz no versículo 15: “Tudo o que pertence ao Pai é meu. Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês”. TUDO! Nada menos que tudo o que pertence ao Pai é de Cristo e esse “tudo” o Espírito revelou aos apóstolos.

Em 1 Coríntios 2:9-10 Paulo escreve: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” — esta era a situação no Antigo Testamento. “Mas Deus o revelou a nós [apóstolos] por meio do Espírito” — esta é a situação do Novo Testamento, a completa revelação de Deus.

Em Hebreus capítulo 1 diz que “há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo”. No original grego, a expressão “falou-nos por meio do Filho” está “falou-nos no Filho” (Hebreus 1:1-2).

No início de sua primeira epístola, o apóstolo João explica: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida. A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada” (1 João 1:1-2). Essa vida é Jesus.

Mas neste evangelho os apóstolos ainda não podem conter tamanha revelação. Apenas após terem recebido o Espírito Santo é que este os inspiraria, ou ditaria tudo a eles, palavra por palavra. O apóstolo Paulo explica: “Temos empregado as próprias palavras que nos foram dadas pelo Espírito Santo, e não palavras que nós, como homens, pudéssemos escolher. Assim, usamos as palavras do Espírito Santo para explicar as realidades do Espírito Santo” (1 Coríntios 2:13-14).

Nos próximos 3 minutos Jesus fala de tristeza e também de alegria.

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Alegria, alegria!

João 16:16-22

Jesus diz aos seus discípulos: “mais um pouco e já não me verão; um pouco mais, e me verão de novo” (João 16:16). Como assim? Ele iria morrer e ser sepultado, e eles não o veriam mais até Jesus ressuscitar e ficar com eles por quarenta dias. Então ele subiria aos céus e outra vez não seria visto até voltar para buscá-los no arrebatamento da igreja, ou antes, caso morressem. Quanto tempo se passaria nesses intervalos? Nem eles saberiam dizer, de tão rápido que seria.

Pelo menos é assim que Jesus ilustra a situação: “A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter nascido no mundo um menino” (João 16:21). Ainda que um trabalho de parto seja demorado, toda a angústia da espera desaparece quando a mãe vê a criança. Aí é só alegria.

Os discípulos se angustiariam quando o vissem desfigurado e morto numa cruz, e pouco depois suas esperanças seriam literalmente sepultadas para sempre. Enquanto isso os incrédulos se alegrariam por terem se livrado de Jesus.

A ressurreição de Jesus pegaria os discípulos de surpresa e injetaria neles uma renovada dose de alegria. Mas não seria nada comparada à alegria que sentiriam a partir do dia em que o Espírito Santo de Deus viesse habitar neles e em cada crente em Jesus. No livro de Atos você encontra aqueles tímidos e amedrontados discípulos transformados em ousados pregadores. Aquela alegria ninguém poderia tirar deles.

De que tipo é a sua alegria? Se você só quer gozar esta vida sem prestar contas a ninguém, você se encaixa no perfil daqueles que se alegraram quando viram Jesus morto. Ele seria uma pedra no sapato deles se continuasse vivo por aí. Jesus nem precisava abrir a boca para deixar as pessoas incomodadas. Bastava ele ser quem era: o Filho de Deus, o único homem perfeito, a luz dos homens.

Qualquer coisa exposta à luz tem seus defeitos revelados, e é esse incômodo que Jesus causa nas pessoas até hoje quando ele é apresentado numa pregação do evangelho. Naturalmente fugimos da Palavra de Deus, pois ela é “viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hebreus 4:12-13).

Você fica incomodado quando ouve falar de Jesus? Então você ainda não tem uma alegria eterna. E nem o acesso ao Pai, que é o assunto dos próximos 3 minutos.

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Orando ao Pai e ao Filho

João 16:23-26

Após Jesus morrer, ressuscitar, subir ao céu e ser glorificado, os discípulos não iriam mais perguntar as coisas a ele, como faziam aqui. Eles iriam orar diretamente ao Pai em nome de Jesus, na certeza de serem atendidos graças à estima que o Pai tem por Jesus. O Espírito Santo os capacitaria e ensinaria como orar.

Antes disso nenhum judeu se dirigia a Deus como Pai. Nos evangelhos Jesus introduz a oração ao Pai, e nas epístolas você encontra o apóstolo Paulo dizendo “orei ao Senhor”, isto é, a Jesus. Mas em nenhum lugar na Bíblia você encontra alguém orando ao Espírito Santo, apesar de ele ser Deus. Se os apóstolos e profetas, que escreveram o Novo Testamento inspirados pelo Espírito, não ensinaram que ele deva ser invocado, adorado ou louvado, é melhor você não fazê-lo. Nunca se sabe que espírito irá atender à sua invocação.

Nos bastidores do mundo físico existem espíritos malignos com milhares de anos de experiência em enganar os seres humanos. Nós não os vemos, mas eles nos veem e nos acompanham. Sabem quase tudo a nosso respeito, conseguem prever nossos próximos passos pela observação de nosso comportamento, e são hábeis na arte de iludir e enganar. Pense neles como estelionatários espirituais.

Paulo advertiu que “o Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1 Timóteo 4:1). João exortou: “Não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus” (1 Jo 4:1). Embora ele fale do espírito do homem que ensina, isso vale também para um espírito que porventura o esteja influenciando.

Como ter certeza se um espírito é de Deus? Não indo além do que está na Bíblia. Invocar o Espírito Santo é ir além do que está escrito. Se o próprio Espírito não nos autorizou a fazê-lo, devemos evitar.

As aparências enganam. Quando passavam pela Macedônia, Paulo e os que estavam com ele foram seguidos por uma jovem que proclamava: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação” (Atos 16:17). Aquilo que parecia ser uma propaganda do evangelho revelou ser um espírito maligno.

Agora você entende por que algumas reuniões de cristãos mais parecem rituais pagãos, com pessoas rodopiando, caindo e se debatendo no chão, como se estivessem possuídas por algum espírito. Um cristão cheio do Espírito Santo não perde o domínio de si mesmo; ao contrário, Paulo afirma na carta aos Gálatas que o fruto do Espírito é “domínio próprio” (Gálatas 5:23). Confira na Bíblia.

Nos próximos 3 minutos Jesus se despede dos discípulos.

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A hora da despedida

João 16:27-32

Geralmente as coisas importantes são mencionadas na hora da despedida, e não é diferente neste capítulo. Ao falar da época quando eles teriam o Espírito Santo habitando em si — isto é, a nossa época — Jesus diz: “Nesse dia, vocês pedirão em meu nome”, e acrescenta: “Não digo que pedirei ao Pai em favor de vocês” (João 16:26). Enquanto estava aqui, Jesus orava ao Pai pelos discípulos. Em breve eles próprios orariam por si mesmos ao Pai.

Ele continua revelando uma verdade fundamental da fé cristã “Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai” (João 16:28). Este versículo põe por terra qualquer crença em Jesus como um mero homem, apenas mais evoluído espiritualmente. Ele não foi criado como eu e você. Ele saiu do Pai. Isto significa que Jesus coexistia com o Pai na eternidade antes mesmo de assumir a forma humana ao nascer da virgem.

Ao escrever aos Colossenses Paulo deixa claro quem é este que entrou no mundo: “Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (Colossenses 3:16). Os alicerces do cristianismo se assentam sobre o fato de Jesus ser Deus e Homem: tão divino quanto o Pai e o Espírito Santo, e tão humano quanto eu e você, exceto o pecado.

Mas agora ele diz aos discípulos que irá deixar o mundo e voltar ao Pai, e em seguida revela que seria abandonado por eles na pior hora, mas que não ficaria só, pois o Pai estaria com ele. Este é outro mistério da Trindade. Na cruz Jesus seria abandonado por Deus ao ser feito pecado por nós. Deus não poderia ter comunhão com o pecado; ele é luz e a luz sairia de cena nas três horas de trevas quando o juízo divino caísse sobre Jesus.

Cumprindo a profecia do Salmo 22:1, Jesus daria o brado: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”. Mas, do mesmo modo como Abraão acompanhou seu filho Isaque até o altar, o Pai faria o mesmo com Jesus, o Filho. Só que neste caso não haveria um carneiro para substitui-lo: Jesus, o Cordeiro de Deus, seria a vítima. Ele seria abandonado por Deus, porém consolado pelo Pai: “Na adversidade estarei com ele”, diz o Salmo 91:15.

Como pode ser isso? Deus abandona Jesus, mas o Pai não? Parece uma contradição, mas não é. Trata-se apenas de nossa limitação humana para entender a intimidade das coisas de Deus. Aqui Jesus diz claramente aos discípulos: “Aproxima-se a hora, e já chegou, quando vocês serão espalhados cada um para a sua casa. Vocês me deixarão sozinho. Mas, eu não estou sozinho, pois meu Pai está comigo” (João 16:32). E assim seria, até mesmo na hora de seu brado, “Deus meu! Deus meu ! Por que me abandonaste?”. Deus longe, o Pai perto.

Talvez você entenda isso melhor nos próximos 3 minutos.

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Amor ou juízo?

João 16:33

Nos últimos 3 minutos Jesus afirmou que seus discípulos o abandonariam na hora de sua morte, porém o Pai estaria consigo. Vimos também que ele seria abandonado por Deus. Duas verdades aparentemente contraditórias revelam que “Deus é amor” (1 Jo 4:8), mas que também “é fogo consumidor” (Hebreus 12:29). Amor ou juízo — o que você quer?

Nós não nascemos neste mundo como Jesus nasceu. Somos gerados pela vontade da carne e trazemos em nós o pecado de Adão, o primeiro homem da velha criação. Não nascemos com o direito de chamar a Deus de Pai. Mesmo assim, ele nunca nos abandona, esperando que venhamos a crer em Jesus, o último Adão, que é também o segundo homem e as primícias da nova criação.

Jesus, por sua vez, saiu do Pai e entrou no mundo na forma humana por geração divina. Ele foi concebido pelo Espírito de Deus no ventre da virgem Maria. Diferente de nós, ele veio sem pecado, isto é, sem o princípio ativo que nos leva a pecar. Por ser Deus e sem pecado, Jesus era incapaz de pecar. Ele era o único que podia chamar a Deus de Pai.

De um lado temos o homem, pecador e destinado ao juízo eterno quando se encontrar com um Deus santo. De outro, temos Jesus, Deus e Homem perfeito, o Filho eterno que saiu do Pai para cumprir uma missão: tomar o lugar do pecador e receber sobre si a culpa dos nossos pecados, e o terrível juízo de Deus. O Salmo 37:25 diz: “Nunca vi o justo desamparado”. No entanto, na cruz Deus o abandonou para poder receber os pecadores cujos pecados foram julgados e condenados ali em Jesus.

Percebe a importância do que ele fez? Na cruz Jesus foi feito pecado e abandonado por Deus. Pense nesse amor, que assumiu a culpa de pecados que não cometeu, para receber o castigo que jamais mereceu! Mas ele foi até o fim, e Deus, satisfeito com seu sacrifício, o ressuscitou de entre os mortos. Agora ele vive para sempre no céu, em um corpo humano, o primeiro homem a entrar ali assim, as primícias da nova criação.

Deus é um juiz santo, justo e terrível em julgar. Por outro lado, o Pai é amoroso, cheio de graça e vontade de salvar. Aqueles que ainda não têm o perdão dos pecados pela fé em Jesus se encontrarão com Deus na condição de juiz. Os que creem em Jesus receberam o poder de serem feitos filhos de Deus. Já não entrarão em juízo. E você, como está?

Jesus termina o capítulo dizendo: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33). Ele não promete paz no mundo, mas sim nele. Ao contrário dos pregadores de mentirinha, que prometem saúde, prosperidade e paz neste mundo, aqui Jesus prevê aflições para os seus. Mas ele venceu o mundo, e isto é suficiente para aquele que crê.

Nos próximos 3 minutos Jesus nos dá uma prévia do que está fazendo agora no céu.

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Você tem um advogado?

João 17:1

Se você já creu em Jesus como seu Salvador — se já recebeu de Deus o perdão de seus pecados ao reconhecer que Jesus o substituiu no juízo — agora existem dois no céu falando de você o tempo todo. Eles são incansáveis na tarefa de comentar com Deus tudo a seu respeito. Eles são Jesus e Satanás.

Se você ainda não se converteu a Cristo, não precisa se preocupar com Satanás. Ele não vai gastar saliva falando mal de alguém que ele ainda mantém em suas garras. Mas neste caso você também não terá um advogado, Jesus, intercedendo por você diante do Pai. No céu Jesus fala bem dos que salvou. Satanás fala mal.

Em Apocalipse 12:10 Satanás é chamado de “acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus, dia e noite”. Nos primeiros capítulos do livro de Jó o diabo aparece no céu acusando Jó Foi também nas regiões celestiais que o diabo lutou com o arcanjo Miguel para saber onde Deus escondera o corpo de Moisés. Talvez o diabo quisesse transformar os ossos do patriarca de Israel em objeto de idolatria e sua sepultura em local de peregrinações (Judas 1:9). O diabo costuma entreter as pessoas religiosas com qualquer coisa que não seja o próprio Jesus.

Mas enquanto Satanás acusa os salvos diante de Deus, Jesus intercede por eles. A oração que Jesus faz neste capítulo 17 de João é um protótipo da intercessão que ele está fazendo neste exato momento no céu. Veja que ele não fala uma palavra sequer contrária aos seus discípulos. Hoje, no céu, ele fala bem de mim para o Pai, sem mencionar minhas falhas e tropeços. Como acontece neste capítulo, no céu Cristo não intercede para que eu receba honras mundanas ou bens materiais, mas roga para que eu seja mantido separado do mundo. A prosperidade que ele quer para mim é espiritual, a única que dura uma eternidade.

Nesta passagem do evangelho ele começa sua intercessão enquanto ainda está no mundo, dizendo que é chegada a hora de morrer, mas logo pensa nos discípulos. Diante da perspectiva de uma morte horrível e do juízo de Deus que cairia sobre si, é neles que Jesus está pensando. Isso é amor verdadeiro; o amor que não procura seus próprios interesses, mas os da pessoa amada.

Jesus roga ao Pai para que o glorifique na morte, e isso inclui ser ressuscitado e assentado à destra da majestade nas alturas. Ninguém poderia tirar sua vida; ele a daria espontaneamente e, apesar de ter o poder de reavê-la, ele não usaria desse poder: deixaria isso a critério do Pai. Em João 10:18 ele diz, a respeito de sua vida: “Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai”.

Após pedir ao Pai que o glorifique, ele roga pela oportunidade de glorificar o Pai por sua morte e ressurreição. Como Jesus iria fazer isso? Veja nos próximos 3 minutos.

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Para a glória de Deus

João 17:1-5

No capítulo 7 de seu evangelho, João diz que “tentaram prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos, porque a sua hora ainda não havia chegado” (João 7:30). No capítulo 8 ele diz que “ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora” (João 8:20). Agora no capítulo 17 Jesus diz: “Pai, chegou a hora” (João 17:1). A morte de Jesus não foi um imprevisto; sua vida não estava à mercê dos homens. Deus estava no controle de tudo, mas mesmo assim os homens seriam responsabilizados por o terem entregado à morte.

Primeiro Jesus pede ao Pai que este o glorifique. Ele está falando de sua ressurreição, que seria o reconhecimento do Pai de que o Filho teria cumprido a missão para a qual foi designado. Em 1 Timóteo 3:16 você tem o roteiro completo dessa missão: “Deus foi manifestado em carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória”(1 Timóteo 3:16). Ao ressuscitar a Jesus e recebê-lo na glória, o Pai o estaria glorificando.

Jesus, por sua vez, também glorificaria o Pai. Como? Ele mesmo explica aqui em sua oração ao Pai: “Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” (João 17:2). Jesus glorifica o Pai salvando pecadores. Deus é grandemente glorificado no fato de suas criaturas caídas e perdidas serem transformadas em adoradores que adoram a Deus em espírito e verdade. Foi para isso que Deus nos criou.

Repare que é Jesus quem concede a vida eterna — não somos nós que a obtemos com nossos esforços. Repare também que ele concede a vida aos que o Pai lhe deu para esse propósito. Quando foi que isso aconteceu? Quando Deus “nos escolheu nele [em Jesus] antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus” (Efésios 1:4-7).

Escolhidos e predestinados antes da criação do mundo, para sermos adotados como filhos, feitos santos e irrepreensíveis, e tudo isso Deus fez gratuitamente para nós, mas a um enorme preço que foi pago por Jesus na cruz. No final, é essa gloriosa graça que será digna de louvor, e não nossos meros esforços. Percebe agora como é ingênua e mesquinha a ideia de que poderíamos ser salvos por nossas boas obras? Se assim fosse, a glória seria nossa, não de Deus!

Jesus também explica de que vida eterna está falando: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Repare que aqui Jesus diz com todas as letras que ele é o Cristo, o Messias enviado a Israel. Os judeus não poderiam jamais alegar que não sabiam com quem estavam lidando. Nos próximos 3 minutos Jesus afirma que não roga pelo mundo, por seu progresso ou bem estar.

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Um mundo melhor?

João 17:6-9

A afirmação que Jesus faz no versículo 9 pode surpreender alguns: “Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus” (João 17:9). Como assim? Como pode ele deixar o mundo de fora de sua intercessão, se o mundo precisa tanto de progresso, paz e harmonia entre os povos?! Você pode escutar o Papa, o Dalai Lama e outros líderes religiosos rogando pela paz mundial e pelo progresso da sociedade, mas jamais encontrará Jesus fazendo isso.

Ele intercedeu por seus algozes na cruz, ao dizer “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23:34), mas em nenhum momento tentou mudar o sistema, incrementar a economia ou lutar por leis mais justas. A razão é simples: Deus desistiu de melhorar o mundo que rejeitou o seu Filho. O que Deus tem feito é se empenhar em resgatar do mundo um povo para si. São os que creem nele como o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, o Filho de Deus que veio morrer para nos salvar.

Se você fosse o capitão do Titanic depois de atingir o iceberg, o que diria aos passageiros? Que pegassem pincéis e tinta para pintarem o navio de uma cor mais alegre? Não! Você diria a eles para caírem fora dali que o navio estava condenado. O apóstolo Pedro escreve em sua segunda carta: “Os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para a destruição dos ímpios... Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela há, será desnudada” (2 Pedro 3:7-10).

Quando você crê na Palavra de Deus, faz tanto sentido tentar melhorar o mundo quanto pintar de cores alegres o carvão que você comprou para o churrasco. Seu destino é o fogo, não importa o quanto você capriche em melhorá-lo. É por isso que no capítulo 17 de João, Jesus intercede, não pelo mundo, mas pelos que o Pai lhe deu do mundo, os escolhidos antes da criação. Estes são os que creem na Palavra de Deus e foram salvos pela fé em Jesus. O evangelho não é uma missão de melhoria do mundo; o evangelho é uma missão de resgate.

Muitos cristãos não entendem a sua vocação, achando que devem se intrometer na política e nos sistemas daqui como se fossem cidadãos do mundo. Não são, e uma passagem na carta de Paulo aos filipenses mostra isso: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Se eu viajar ao Nepal posso até alimentar e vestir os necessitados ali, mas não tenho nada que me intrometer na política do país. Serei estrangeiro ali, como o cristão é estrangeiro aqui neste mundo. Não sou eu quem diz, é Jesus quem repete por duas vezes neste capítulo: “Eles não são do mundo, como eu também não sou” (João 17:14, 16).

Nem todos os passageiros do Titanic que tiveram acesso aos botes salva-vidas sobreviveram. Será que todos os que o Pai deu a Jesus estarão seguros eternamente? A resposta está nos próximos 3 minutos.

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Nenhum deles se perdeu

João 17:10-19

Jesus glorifica o Pai salvando pecadores, e é glorificado por cada um que ele salva. É assim que ele diz: “Eu tenho sido glorificado por meio deles” (João 17:10). E Jesus não é glorificado apenas pelos seus neste mundo, mas também pelo cuidado que tem por eles para que nenhum se perca. Tanto o recebimento da salvação quanto sua manutenção não vem de nós, mas de Deus. Caso contrário, o homem seria glorificado por sua salvação e por sua perseverança em manter-se salvo.

Enquanto estava aqui Jesus protegia os discípulos, de modo que nenhum deles se perdeu, exceto Judas, que estava destinado à perdição. Agora ele pede ao Pai que guarde os que são seus, e essa mesma intercessão Jesus continua a fazer no céu por cada um dos que são salvos por ele. Se você realmente crê em Cristo saiba que nada e nem ninguém pode tirar você das mãos do Pai.

Jesus guardava os seus discípulos enquanto ainda estava com eles, e mais ainda depois da formação da igreja no dia de Pentecostes em Atos, capítulo 2. A partir daquele dia cada pessoa que crê em Jesus é selada com o Espírito Santo, a garantia de que jamais poderá se perder. Veja o que dizem estas passagens das cartas de Paulo aos Efésios e aos Coríntios: “É Deus que faz que nós e vocês permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações como garantia do que está por vir... Nele, quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus... Foi Deus que nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia... o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção” (2 Co 1:21-22; Ef 1:13-14; 4:30; 2 Coríntios 5:5).

Antigamente os reis validavam um documento colocando nele o seu selo, a marca de seu anel pressionado sobre uma gota de lacre derretido ou simplesmente com tinta, como se fosse um carimbo. O selo era a garantia de propriedade. Assim Deus sela com o Espírito Santo cada um que é salvo por Jesus, como se dissesse: “Este é minha propriedade, ninguém pode tirá-lo de minhas mãos”. Aqueles que acham que podem perder a salvação, ou o Espírito Santo com o qual foram selados como garantia, não fazem ideia de quem é Deus e de como ele é zeloso daquilo que é seu.

Mas o que dizer dos que um dia pareciam tão convertidos e depois voltaram a ser o que eram ou até piores? Bem, talvez nunca tenham nascido de novo, nunca creram em Jesus, mas apenas adotaram uma religião cristã e aprenderam a fingir. O apóstolo João fala desse tipo de gente em sua primeira carta: “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (1 Jo 2:19).

Nos próximos 3 minutos Jesus revela o que deseja para aqueles que viriam a crer nele nas gerações futuras, ou seja, eu e você.

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Para que sejam um

João 17:20-26

Quando você entra em um aposento e descobre que tem alguém falando mal de você, o sentimento é de tristeza e indignação. Mas e se a pessoa estiver falando bem de você? E se estiver fazendo mais que isso: estiver intercedendo por você, querendo para você tudo de bom? É o que encontramos aqui. Entramos na intimidade de uma conversa que Jesus está tendo com o Pai, e o assunto da conversa são os que viriam a crer nele no futuro. Há dois mil anos Jesus já intercedia por mim diante do Pai. Veja o que ele diz: “Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles [dos apóstolos] para que sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste”(João 17:20-24).

A mesma unidade que existe entre o Pai e o Filho é a que deve existir entre os que foram salvos por ele — todos tem um mesmo e único Salvador. Além deste aspecto da unidade, assim como Cristo manifestava Deus no mundo, o cristão deve ser a expressão de Cristo em seu caráter e andar. No livro de Atos, capítulo 4, quando os apóstolos foram interrogados pelas autoridades e pelo sumo sacerdote, estes “ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (Atos 4:13). O testemunho dos discípulos era coerente com o de Jesus; havia ali uma unidade de caráter e propósitos que o mundo podia perceber.

Mas Jesus vai mais além em sua oração: “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo” (João 19:24). Lembre-se de que aqui ele fala como já tendo cumprido a obra da redenção, morrendo, ressuscitando e assentando-se à destra da Majestade nas alturas. E é nesse lugar de indescritível glória que Jesus quer que estejamos para contemplarmos a sua glória.

Ele aponta para o futuro eterno e, ao mesmo tempo, para o passado eterno: “Estejam comigo onde estou...”, e aqui ele está falando da imutabilidade de sua glória eterna; “porque me amaste antes da criação do mundo” (João 17:24), ou seja, na eternidade, antes de todas as eras. Entre uma coisa e outra está o tempo, essa coisa linear, que Deus criou juntamente com a matéria que conhecemos, e que deixará de existir quando chegarmos ao estado eterno.

Apesar de toda a ruína em que se transformou a cristandade, com milhares de denominações negando justamente o princípio da unidade, ainda é possível encontrar unidade naquilo que identifica cada cristão: o nome de Jesus. Por que será que alguns dão tão pouco valor a esse nome ao ponto de se deixarem identificar por nomes de religiões criadas por homens?

Nos próximos 3 minutos Jesus faz o mesmo caminho que fez o Rei Davi mil anos antes.

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Um pai omisso

João 18:1

Mil anos antes da cena do capítulo 18 do Evangelho de João, outro homem fez o mesmo caminho que Jesus faz aqui. O rei Davi, quando teve seu trono usurpado por seu filho Absalão, cruzou o ribeiro de Cedrom fugindo de Jerusalém por ter sido um pai omisso. Jesus cruza o mesmo ribeiro por ser um Filho submisso.

Mas quem era Absalão? A história do terceiro filho de Davi, e o seu trágico fim, você encontra nos capítulos 13 ao 20 de 2 Samuel. Seu nome significa “Patrono da paz”, o que Davi certamente queria que ele fosse, ao adotar um método pacífico para educar seus filhos. Absalão foi tratado do mesmo modo que Davi tratava Adonias, seu quarto filho. Dele é dito que “seu pai nunca o havia contrariado; nunca lhe perguntava: ‘Por que você age assim?’“ (1 Reis 1:6).

Absalão era filho de uma das esposas pagãs de Davi, uma união contrária à vontade de Deus. Em seu plano original, Deus queria que cada homem tivesse apenas uma mulher, e que esta adorasse o Deus verdadeiro. Mas nada disso foi levado a sério por Davi, que paparicava seu belo filho. “Em todo o Israel não havia homem tão elogiado por sua beleza como Absalão. Da cabeça aos pés não havia nele nenhum defeito”2 Samuel 14:25.

Filho de um casamento não autorizado por Deus, criado na idolatria de sua mãe, bajulado por sua aparência e recebendo de seu pai uma educação pacífica, de modo a nunca ser contrariado, advertido ou castigado — esse era Absalão. Os modernos educadores devem muito a Davi por seu método de educar os filhos. É o método do homem, contrário ao método de Deus, descrito em Hebreus 12: “O Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho. Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos. Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade. Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados” (Hebreus 12:5-11).

Ao contrário da ideia de que a criança nasce boa e é estragada pelo ambiente, a Bíblia ensina que nascemos pecadores. O livro de Provérbios diz que “a insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela. A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma. Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura” (Provérbios 22:15; 29:15-17; 23:13-14). Davi não fez assim e só lhe restou chorar a perda de seu filho.

Nos próximos 3 minutos veremos um dragão em pele de cordeiro.

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Dragão em pele de cordeiro

João 18:1

No Antigo Testamento Davi é uma figura de Jesus, o rei traído e desprezado que o profeta Isaías descreveu como não tendo “qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos” (Is 53:2). Por sua vez, Absalão, o filho de Davi elogiado por sua beleza, é uma figura do Anticristo, o usurpador do trono e representante visível do príncipe deste mundo, Satanás.

Porém, quando Jesus voltar para reinar, já não virá mais como o servo manso e humilde, mas como um rei poderoso e implacável para com seus inimigos. Aqueles que hoje creem nesse Jesus desprezado e exilado no céu, recebem a salvação. Os que o rejeitam serão levados a crer no Anticristo, aquele que João descreve como a “besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão” (Ap 13:11).

Como fez Absalão, cujo nome significava “Patrono da Paz”, o Anticristo virá vestido em pele de cordeiro para encobrir sua natureza de dragão herdada de Satanás. O apóstolo João previu que muitos “anticristos” surgiriam antes do derradeiro Anticristo, e algumas características os denunciariam. Uma seria o fato de negarem que Jesus veio em carne, isto é, que Deus assumiu a forma humana. Outra seria a sua habilidade em fazer sinais e milagres.

Se você vive atrás de sinais e maravilhas, saiba que pessoas assim serão as vítimas do Anticristo. Paulo fala que “a vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” (2 Tessalonicenses 2:8-10).

Quando Deus ordenou a Faraó que deixasse os israelitas saírem livres da escravidão no Egito, Faraó se opôs. Ao invés de libertar o povo de Deus, mandou que este recebesse uma carga maior de trabalho. Nos capítulos 7 e 8 do livro de Êxodo, por cinco vezes Faraó endureceu seu próprio coração. Então, no capítulo 9 diz que “o Senhor endureceu o coração de Faraó” (Ex 9:12). O homem que se recusa teimosamente a ouvir a Palavra de Deus chega a um ponto sem volta, quando o endurecimento de seu coração passa a vir de Deus.

É o que ocorrerá após o arrebatamento da Igreja. Para aqueles que ouviram o evangelho e foram deixados para trás, “Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade” (2 Tessalonicenses 2:11, 12). Quanto tempo falta para isso acontecer? A Bíblia responde: um piscar de olhos. A hora de crer em Jesus é agora.

Nos próximos 3 minutos, Judas, outra figura do Anticristo, leva os soldados até Jesus.

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Traição e valentia

João 18:2-11

Judas, o traidor, conhece o lugar onde Jesus está, portanto leva consigo “um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, levando tochas, lanternas e armas” (João 18:3). A luz do mundo estava ali, e mesmo assim os homens precisam de lanternas para encontrá-la. Outro evangelho mostra que Judas beija Jesus para identificá-lo para os guardas na noite escura.

Jesus se adianta a ir ao encontro deles. Ele está pronto para ser preso e conduzido à morte. Mas antes os soldados terão uma pequena amostra de quem é aquele que pretendem aprisionar. “A quem vocês estão procurando?”, pergunta Jesus. “A Jesus de Nazaré” (18:4-6), respondem eles.

A resposta de Jesus nos remete ao encontro de Moisés com Deus no capítulo 3 do livro de Êxodo. Ao perguntar a Deus o seu nome, Moisés ouviu a resposta: “EU SOU o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: EU SOU me enviou a vocês” (Ex 3:14). A mesma expressão — “EU SOU” — sai agora da boca de Jesus e isso é suficiente para fazer os soldados caírem de costas. Ali está o Criador, o Senhor do universo, o “EU SOU”, e os soldados são incapazes de suportar apenas um lampejo de sua glória. Este é Jesus e Jeová.

Jesus intercede pelos discípulos. Era a ele que buscavam, portanto que deixassem ir livres os outros. Nenhum deles sofreria dano, nem mesmo Pedro, que em sua impetuosidade sacou da espada e decepou a orelha do servo do sumo sacerdote. Jesus o repreende: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11). O Evangelho de Lucas revela que Jesus curou a orelha do rapaz.

A Palavra de Deus é chamada em Efésios 6 de “espada do Espírito”, e em Hebreus 4 de “espada de dois gumes”, portanto a repreensão de Jesus faz todo sentido. Jamais deveríamos usar a espada da Palavra de Deus para deixar as pessoas surdas à mesma Palavra. Mas quando é que cortamos orelhas? Quando usamos a Bíblia para agredir as pessoas e as tornamos endurecidas e avessas à verdade.

Você já se viu metralhando pessoas com versículos, mais para defender sua posição do que por desejo de salvá-las? Pessoas inseguras usam a Palavra de Deus como forma de marcar território. Quando brandimos a espada da Palavra com agressividade, ou a usamos para criar em nós uma aura de piedade, podemos estar tentando compensar nossa própria falta de comunhão com Deus.

A valentia de Pedro só confirmava sua insegurança. Horas depois ele negaria Jesus. O piedoso beijo de Judas escondia a traição do filho do diabo que ele realmente era. E você, como tem usado a Palavra de Deus? Para cortar orelhas ou para curar os surdos? Para exibir sua piedade ou para revelar o Salvador?

Nos próximos 3 minutos o Juiz é julgado.

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O julgamento do Juiz

João 18:12-14

Apesar de Jesus pregar publicamente, nunca as autoridades conseguiram prendê-lo. Não faltou ocasião, pois neste mesmo Evangelho de João, nos capítulos 8 e 10, os judeus tentam apedrejá-lo sem conseguirem. Ainda não era chegada sua hora. A morte de Jesus estava nos planos eternos de Deus, por isso ela só poderia ocorrer quando Deus assim determinasse.

Agora Jesus se deixa amarrar e ser levado a Anás, que tinha sido sacerdote no ano anterior. Primeiro Jesus deve passar pelo julgamento das autoridades religiosas, e só depois ser entregue à autoridade civil. Por estarem sob o domínio romano, os judeus não têm poder para condenar alguém à morte.

É interessante este detalhe, pois séculos antes havia sido profetizado que o Messias de Israel seria crucificado conforme o costume romano, e não apedrejado, que era a execução imposta pela lei judaica. Portanto era preciso que a nação de Israel estivesse na condição em que está aqui, sujeita a um invasor gentio, para que as profecias da morte de Jesus se cumprissem.

No Salmo 22 você encontra: “Traspassaram” — isto é, perfuraram ou atravessaram — “minhas mãos e meus pés” (Salmos 22:16). O profeta Zacarias previu: “Olharão para mim, aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12:10). Isaías profetizou o mesmo, acrescentando ainda a razão de sua morte: “Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões” (Isaías 13:5).

Em sua carta aos Romanos, o apóstolo Paulo lembra uma citação do capítulo 21 de Deuteronômio que diz: “Qualquer que for pendurado num madeiro está debaixo da maldição de Deus”(Deuteronômio 21:22, 23). Mas como Jesus, na cruz, poderia ser amaldiçoado por Deus? Por ter sido feito pecado ali por nós. Deus não podia ter qualquer ligação com o pecado, portanto não só o abandonou na cruz, como também o considerou maldito e lançou sobre ele o fogo do juízo contra o pecado.

O que Jesus sofreu nas mãos dos homens não difere muito da tortura que muitos prisioneiros receberam ao longo da história. Mas o que ele sofreu nas mãos de Deus é inigualável; é a soma de todos os medos que aterrorizam cada pecador que terá de se apresentar diante de Deus com seus pecados para receber o juízo. Em Jesus esse terror, sofrimento e dor foram multiplicados pelo pecado do mundo e dos que seriam salvos por ele, e elevados à enésima potência da eternidade.

Mal sabiam os juízes Anás, Caifás e Pilatos que Jesus estava prestes a ser julgado com maior rigor e severidade pelo próprio Deus. E tampouco poderiam eles imaginar que aquele réu, fraco e humilde, voltaria como Juiz, para julgá-los e a todos os que não tiveram seus pecados pagos por Jesus na cruz.

Nos próximos 3 minutos Pedro e João têm seus temperamentos revelados.

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Temperamentos

João 18:15-16

Tem início o julgamento de Jesus. Dois discípulos o seguem na incerteza do que irá acontecer. Um deles é Pedro, e o outro talvez seja João, o autor do evangelho. Este deve ser conhecido da família do sumo sacerdote, pois entra na casa e em seguida sai para buscar Pedro, que não conseguira entrar.

Cada um de nós nasce com um temperamento que faz parte de nossa identidade. João parece ser um homem dócil e afável, que ama e é fácil de ser amado. Pedro, por sua vez, é impulsivo e direto. São características humanas que podem estar sob o controle do Espírito ou dos sentidos, às vezes chamados de carne. Assim como eu e você, Pedro e João são pecadores por natureza, e tudo neles, inclusive o temperamento, foi corrompido pelo pecado.

João, com seu temperamento dócil, é mais diplomático e apto a conquistar amizades e acessos, como o da casa do sumo sacerdote. Pessoas acessíveis têm fácil acesso. Pedro, por sua vez, está no outro extremo. Ele é o homem de pavio curto, muito útil para comandar um batalhão, trabalhar de capataz ou ser o primeiro a mergulhar no mar para ir ao encontro do Senhor. Mas dificilmente conseguirá um emprego como relações públicas. Pedro e João sempre foram assim, e essas características fazem deles indivíduos, cada um com uma identidade própria. O problema não é o temperamento, mas o que o controla.

O ser humano passa por diferentes estágios — infância, adolescência e fase adulta — sem perder sua identidade. Em cada fase ele pensa e age de modo diferente, mas é sempre o mesmo ser humano e jamais perderá essa essência. Deus criou o homem e disse que era muito bom. Se assim não fosse, Jesus não teria vindo em um corpo humano. Ao contrário de Jesus, porém, todos nós temos uma natureza pecaminosa que nos incita a pecar. Mas é você, como um ser responsável, quem peca ao se deixar guiar por ela, e deverá prestar contas disso.

O problema é que se você ainda não se converteu a Jesus, você só possui a carne para movê-lo; você só pode ser guiado pela carne e pelos pensamentos, como uma marionete de Satanás. Aquele que, pela fé em Jesus, é nascido de Deus possui, além dessa mesma velha e caída natureza, uma natureza santa e perfeita que vem de Deus. Quando você deixa a velha carne no comando, você peca. Quando você se deixa guiar pelo Espírito de Deus, você age segundo a vontade de Deus.

O problema no Éden foi Eva se deixar guiar pelos sentidos: a árvore era boa para comer, agradável aos olhos e boa para dar entendimento. Havia um apelo sensorial ao corpo, à alma e ao espírito, e ela se deixou levar. Quando nos deixamos guiar pelo que é sensorial, pecamos. Na carta do apóstolo Judas, encontramos a característica dos homens ímpios: eles são “sensuais”. Como animais irracionais, eles são guiados pelos sentidos, não pelo Espírito de Deus.

Nos próximos 3 minutos o temperamento intrépido de Pedro é colocado à prova.

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Na roda dos ímpios

João 18:17-27

Enquanto os homens conspiram para entregar Jesus à morte, a carne de Pedro conspira contra ele. Graças à intervenção de João, ele é admitido no pátio interior da casa do sumo sacerdote, mas logo procura a companhia dos guardas e outros que ajudaram a prender Jesus, para se aquecer em torno da mesma fogueira.

Pedro é reconhecido por uma mulher: “Você não é um dos discípulos desse homem?” Ele nega por medo da mulher. Então é a vez dos que estão ao redor da fogueira questionarem: “Você não é um dos discípulos dele?”. Pedro nega outra vez. Finalmente é reconhecido pelo parente do homem que teve a orelha cortada: “Eu não o vi com ele no olival?” (João 18:17-25-27). Pedro nega pela terceira vez e o galo canta.

O Evangelho de Lucas dá mais detalhes do que acontece após o galo cantar: “O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: ‘Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes’. Saindo dali, chorou amargamente” (Lucas 22:61). Prestes a morrer, Jesus preocupa-se com seu discípulo. Ele já sabia que Pedro iria fraquejar e tinha orado por ele. Agora é com o olhar, e não com uma repreensão, que Jesus toca o coração covarde do discípulo corajoso. Aquele que se dizia disposto a encarar a morte por Jesus não teve sequer coragem de encarar a pergunta de uma mulher.

Se Pedro vivesse nos dias de hoje ele seria um assíduo consumidor de livros e palestras de autoajuda, com mensagens do tipo “Confie em si mesmo”, “_Descubra o poder que há em seu interior”_ou “Siga o seu coração”. Tudo isso pode soar bonito, mas não passa de confiança na carne. Um pouco antes Jesus tinha deixado claro aos discípulos que, por maior disposição de espírito que eles demonstrassem ter, a carne é fraca. Confiar na carne e nos sentidos nos deixa vulneráveis ao pecado. Pedro que o diga.

Sempre desconfie de sua capacidade natural quando ela é colocada ao serviço do Senhor pela vontade própria. Jeremias escreveu que é maldito o homem que confia no homem, e isso inclui confiar em si mesmo. O temperamento de Pedro só podia ser útil quando controlado pelo Espírito de Deus, como em Atos 4:13, quando Anás e Caifás darão testemunho da intrepidez e coragem de Pedro ao testemunhar de Jesus sob o risco de morrer por isso.

O primeiro Salmo diz que é feliz o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Assentado na roda dos ímpios guardas, em busca daquilo que os aquece, Pedro nega a Jesus. Sempre que você buscar conforto na companhia dos ímpios, seu testemunho será enfraquecido e você acabará sendo uma negação daquilo que deveria ser neste mundo: um testemunho para Jesus.

Nos próximos 3 minutos Jesus é interrogado.

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Um prisioneiro perfeito

João 18:17-27

Um grande engano disseminado até mesmo entre cristãos é que a salvação possa ser obtida pela imitação de Cristo. Evidentemente o cristão, que já teve os seus pecados perdoados pela fé em Cristo graças à sua morte na cruz, tem em Jesus o exemplo de um homem perfeito e deve sim imitá-lo. Mas isso é depois de ter nascido de novo e ter a certeza de sua salvação.

Em sua carta aos Efésios, capítulo 5, Paulo escreve para que “sejam imitadores de Deus, como filhos amados” (Efésios 5:1), e segue falando das virtudes que devem acompanhar a vida cristã. Em1 Coríntios 11 ele exorta os cristãos: “tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Paulo os convida a seguirem seu próprio exemplo, portanto é salutar imitarmos aqueles que andam na fé em Jesus. Mas isso é um complemento à vida cristã, e não o meio pelo qual você recebe a salvação, a qual só pode ser obtida pela fé em Cristo.

Se você tentar imitar Jesus para obter a salvação, terá de começar sendo sem pecado, porque Jesus veio ao mundo sem pecado. O problema é que eu e você viemos ao mundo com uma natureza arruinada que nos fez pecadores desde a concepção. É impossível que, pela imitação, você se torne puro e sem pecado. Por mais que um cão imite um gato, o máximo que consegue é latir com um “miau”. Mas ele continuará sendo um cão em sua essência e por natureza.

Compare os julgamentos de Jesus aqui e de Paulo no capítulo 23 de Atos. Aqui Jesus é esbofeteado por um dos guardas do sumo sacerdote, que diz: “Isso é jeito de responder ao sumo sacerdote?”, ao que Jesus responde: “Se eu disse algo de mal, denuncie o mal. Mas se falei a verdade, por que me bateu?” (João 18:22-23). A resposta de Jesus é perfeita e desmonta todos os argumentos de seus juízes.

Paulo, em uma situação semelhante, porém guiado pela própria carne e não pelo Espírito, responde: “Deus te ferirá, parede branqueada! Estás aí sentado para me julgar conforme a lei, mas contra a lei me mandas ferir?”, e recebe o troco: “Você ousa insultar o sumo sacerdote de Deus?”, ao que é obrigado a se retratar: “Irmãos, eu não sabia que ele era o sumo sacerdote, pois está escrito: ‘Não fale mal de uma autoridade do seu povo’” (Atos 23:2-5).

Jesus, Deus e homem perfeito, jamais precisou se retratar porque em momento algum foi movido por outra natureza que não fosse a sua natureza divina e perfeita. Paulo, nascido de novo e possuidor da nova natureza e do Espírito Santo habitando em si, foi obrigado a pedir desculpas por ter deixado sua carne tomar o controle da situação. Assim somos nós em nossas atitudes e palavras, quando comparados ao Senhor Jesus.

Nos próximos 3 minutos Jesus é enviado a Pilatos para ser julgado pelo poder civil.

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De costas para a Verdade

João 18:28-40

Após terem julgado Jesus sem conseguirem acusá-lo de coisa alguma que não fosse a verdade, os sacerdotes decidem enviá-lo a Pilatos, o governador romano. A cena é bizarra, pois representa bem como age o homem religioso e zeloso, porém longe de Deus. Os judeus que acompanham Jesus não entram na residência de Pilatos a fim de evitarem se contaminar com o mal que havia nas habitações dos que não eram judeus. Afinal, era o tempo da Páscoa, e eles queriam continuar participando das celebrações limpos de qualquer culpa.

Seria cômico se não fosse trágico: ao mesmo tempo em que cumprem suas responsabilidades religiosas eles entregam à morte o próprio Filho de Deus. Este é um exemplo clássico da responsabilidade moral sendo atropelada pelo costume ritual. Enquanto evitam se contaminar na casa de um juiz romano e humano, se contaminam com a culpa do assassinato do Juiz divino de todos os homens! Que paredes podiam ser mais imundas que as de seus próprios corações? Pilatos, sim, é quem deveria temer receber aqueles monstros em sua casa.

Mas ali está um homem igualmente ímpio, indo encontrar os judeus do lado de fora para não desagradá-los. “Que acusação vocês têm contra este homem?” (João 18:29), pergunta ele. A resposta é que Jesus é criminoso e merece morrer, uma sentença que apenas o invasor romano pode declarar. Na verdade, a acusação que os judeus têm contra Jesus tem dois aspectos. Primeiro, o aspecto religioso: Ele deve morrer por ter blasfemado ao declarar-se o Cristo, o Filho de Deus, fazendo-se assim igual a Deus. Segundo, o aspecto civil: Jesus diz que é o rei dos judeus, e qualquer um com tais pretensões é visto pelo Império Romano como reacionário e digno de morte.

Pilatos está claramente incomodado pela obrigação de julgar aquele homem em quem não vê crime algum, mas apenas uma intriga dos judeus. No diálogo que se segue Jesus declara que seu reino não é deste mundo, aonde ele desceu para dar testemunho da verdade. Todos os que são da verdade dão ouvidos a ele. É aqui que a sorte de Pilatos é selada. Ele não é da verdade e nem quer ser. Por isso, ao perguntar “Que é a verdade?” (João 18:38), não espera pela resposta. Dá as costas para Jesus e volta-se aos judeus, com os quais quer manter boas relações. Pilatos é político.

Numa última tentativa de livrar Jesus da morte, ele oferece cumprir o costume de soltar um prisioneiro por ocasião da Páscoa, uma espécie de indulto governamental. Mas os judeus não querem Jesus solto. Preferem que Pilatos solte um criminoso, Barrabás. E Jesus? Que seja crucificado. Se você já escutou a frase “A voz do povo é a voz de Deus”, saiba que ela não está na Bíblia. Nesta eleição democrática ocorrida há dois mil anos a voz do povo vota em Barrabás.

Nos próximos 3 minutos a humanidade revela qual é a sua real intenção para com Deus: acabar com ele.

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Livrando-se de Deus

João 19; Gênesis 3e 4

Chegamos agora ao capítulo mais solene, não só deste evangelho, mas de toda a história da humanidade: a morte de Jesus. Ele já havia indicado que se o grão de trigo apenas caísse na terra, de nada adiantaria, pois ficaria só. Mas se morresse, germinaria e daria muito fruto. Por isso Jesus deve morrer.

Porém, ao mesmo tempo em que ele deve cumprir o propósito de sua vinda ao mundo, os seres humanos devem revelar sua real disposição para com Deus: livrarem-se dele. No capítulo anterior Jesus diz a Pilatos que aquele que o tinha entregado ao governador romano era “culpado de um pecado maior” (João 19:11). Portanto deve existir uma escala de culpabilidade conforme a gravidade do mal.

Neste capítulo atingimos o ápice dessa escala da maldade: o homem está prestes a livrar-se de Deus, não apenas conceitualmente falando, mas de uma maneira prática, cruel e cabal. Ao menos ele pensa que pode conseguir isso para perpetuar-se no poder como deus e senhor de seu próprio destino.

Ao longo das eras Deus tratou com o homem de diferentes maneiras. Chamamos a isso de dispensações. No Éden ele lidou com o ser humano em um estado de inocência, e o homem falhou ao querer livrar-se de Deus. A palavra “pecado” significa viver independente de um elemento regulador. “Vocês serão como Deus”, prometeu a serpente apontando para a autossuficiência. Eva acreditou.

No período que vai da queda do homem ao dilúvio Deus tratou com a humanidade em um estado de consciência. O ser humano agora conhecia o bem e o mal, embora fosse incapaz de fazer o bem e evitar o mal. Abra o jornal e você verá que é assim até hoje. No Éden o homem tentou dispensar a Deus e ocupar sua vaga. Não deu certo, então ele tentou a mesma coisa de diferentes maneiras.

Não satisfeito em livrar-se da concorrência divina, o homem quis também livrar-se da concorrência humana. Caim matou seu irmão, tornando-se, juntamente com seus descendentes, pioneiro em muitas coisas. Foi pioneiro no homicídio e fundou a primeira cidade, sendo também o primeiro a dar nomes de pessoas às coisas feitas pelo homem. Sua cidade ganhou o nome de seu filho Enoque.

Lameque, descendente de Caim, foi o pioneiro da poligamia e do homicídio em defesa própria, e seus três filhos inventaram a pecuária, a música e a tecnologia. O homem fincava assim sua bandeira no mundo e o adornava para viver nele confortavelmente, porém sem a intromissão de Deus. Enquanto isso Adão e Eva tinham outro filho, chamado Sete, de quem nasceu Enos, que significa “frágil” ou “mortal”. Foi nessa época que se passou a invocar o nome do Senhor e é dessa linhagem que veio Jesus, o Salvador do mundo.

Nos próximos 3 minutos a terra antes do dilúvio parece tirada de um conto de literatura fantástica.

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Viagem no tempo

Gênesis 5e 6

A terra antes do dilúvio é de causar inveja em qualquer autor de literatura fantástica. Era um planeta totalmente diferente. Não chovia — uma névoa regava as plantas. As condições atmosféricas, de radiação solar e menor degradação genética permitiam que sua população vegetariana vivesse por quase mil anos. Sim, vegetariana, porque a carne só seria dada por alimento após o Dilúvio.

A população na véspera do Dilúvio poderia ser igual ou maior que a atual. Faça as contas e você verá. Havia uma única civilização, um único idioma e um único continente. A expectativa de vida era medida em séculos e as pessoas transmitiam verbalmente e de primeira mão séculos de conhecimento. O pai e o avô de Noé eram contemporâneos de Adão, que lhes contou o que aconteceu no Éden. Por isso não havia idolatria antes do dilúvio. As pessoas sabiam que Deus era real, porém tentavam substituí-lo pela capacidade humana, como fazem os modernos humanistas.

No Éden Satanás fora avisado de que um descendente da mulher esmagaria sua cabeça, por isso armou um plano para corromper a linhagem humana. Seus anjos caídos desertaram de seu estado natural, assumiram a forma humana e fecundaram mulheres, que geraram seres híbridos e poderosos conhecidos por “Nefilins” ou “gigantes”. Agora você já sabe de onde vêm as antigas lendas de titãs e semideuses. Não são lendas; eles realmente existiram.

Naquele mundo de habitantes centenários, convivendo com titãs com poderes só vistos nos livros de ficção, Deus era reconhecido e respeitado por poucos. Pouquíssimos, se você considerar que apenas Noé, sua esposa, filhos e noras — oito pessoas — acreditaram na Palavra de Deus de que o mundo seria destruído. Somente eles entraram na imensa arca repleta de animais, cuja porta foi fechada do lado de fora pelo próprio Deus.

Por mais de cem anos Noé anunciou publicamente, tanto o juízo de Deus quanto a salvação pela fé. Jesus, em Espírito, pregava por intermédio de Noé aos que mais tarde teriam seus espíritos em prisão por rejeitarem a Palavra de Deus. Para serem salvos teria bastado crer na Palavra de Deus e estar no lugar que Deus determinou: a arca. Mas isso exigia fé, pois a arca foi construída em terra seca numa época quando ninguém sabia o que era chuva, quanto mais um dilúvio.

Hoje Deus avisa que este mundo será mais uma vez destruído, só que por fogo. Desta vez a salvação está numa Pessoa, Jesus, o Filho de Deus, o único sobre quem o fogo do juízo divino já caiu. Para ser salvo de uma enchente você precisa flutuar sobre ela. Para ser salvo do fogo, você precisa estar onde ele já queimou.

Nos próximos 3 minutos o homem encontra mais maneiras de se esquivar de Deus.

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Uma nova chance

Gênesis 7a 11

Deus decidiu dar outra chance à humanidade, recomeçando por intermédio de Noé e abrindo a dispensação que podemos chamar de ‘governo humano’. Noé recebeu autoridade sobre seus semelhantes, inclusive com poder de condenar à morte aquele que derramasse o sangue de seu próximo. Isso nunca foi revogado por Deus.

Ao saírem da arca, Noé e seus filhos encontraram um mundo diferente. A expectativa de vida, que em poucas gerações cairia para os cento e vinte anos, continuaria a cair até atingir a média de trinta anos. Foi só no século vinte que a medicina reverteu essa tendência e hoje a média gira em torno dos setenta anos, quase novecentos anos menos que a idade de Matusalém, avô de Noé.

Nesse novo mundo Deus deu a carne como alimento, e os animais passaram a temer e a fugir dos homens, o que não acontecia antes. Tudo ia bem, até Noé, o primeiro governador desses novos tempos, sucumbir à embriaguez e cair em desgraça. Como sempre acontece nas dispensações, tudo começa bem e acaba mal. Os descendentes de Noé cuidaram disso no capítulo 11 de Gênesis.

Ali nós os encontramos pretenciosos e declarando-se donos do mundo. Eles dizem: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra” (Gênesis 11:4). Porém Deus, falando na primeira pessoa do plural por ser uma ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo, declara: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”. O relato bíblico continua dizendo que “o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. Por isso foi chamada Babel [que significa ‘confusão’], porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo” (Gênesis 11:6-7).

O homem havia falhado na inocência, na consciência e no governo humano. Deus agora chamaria um para fora da idolatria que assolava o mundo e lhe daria uma promessa. Abrão, nome que significa “pai exaltado”, mais tarde seria chamado de Abraão, ou “pai de uma multidão”. Deus prometia a ele uma terra — Canaã — e uma posteridade, porém não sem sacrifício. Prefigurando o que o próprio Deus faria séculos mais tarde com seu Filho, Abraão recebeu a ordem de sacrificar Isaque, seu filho, em holocausto a Deus.

Aquilo tinha por objetivo provar a fé de Abraão, de que Deus traria seu filho de volta da morte. Uma vez satisfeito, Deus interrompeu o sacrifício e entregou um carneiro para ser morto em lugar de Isaque. Anos mais tarde o sacrifício do Filho de Deus não seria interrompido. O Cordeiro de Deus teria mesmo de morrer.

Nos próximos 3 minutos Deus dá uma chance a um povo teimoso e obstinado: Israel.

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De sangue em sangue

Êxodo 12

Depois de pecarem e perderem sua inocência, Adão e Eva viram Deus sacrificar um animal e fazer vestimentas de peles para eles. O sangue de um animal inocente derramado em prol do pecador permitia que Deus continuasse agindo em graça para com o homem. Abel mostrou ter consciência disso, pois também fez um sacrifício de sangue que foi aceito por Deus na dispensação da consciência.

Noé deu início à terceira dispensação — do governo humano — derramando o sangue no sacrifício de animais e aves que levara na arca para esse fim. A promessa dada a Abraão em sua dispensação também estava associada a um sacrifício, do próprio filho do patriarca, substituído na última hora por um carneiro. A graça de Deus permaneceria disponível ao homem, sempre à sombra do sangue de animais inocentes sacrificados em lugar do pecador.

Encontramos agora os descendentes de Abraão como escravos no Egito e chamados de Israel. Este foi o nome que Deus deu a Jacó, neto de Abraão, para que fosse o patriarca de um povo ao qual foi dada a Lei. A dispensação da Lei inicia com o sangue de animais sacrificados nas casas dos israelitas no Egito, para protegê-los do juízo que cairia sobre os primogênitos daquela terra.

Deus testava o homem para ver se era capaz de viver pelos padrões divinos. A verdade é que a Lei nunca foi obedecida por homem algum, exceto Jesus. A razão é simples: quem transgredisse qualquer mandamento seria culpado de toda a Lei, e um dos mandamentos simplesmente proibia o homem de cobiçar. Experimente parar de pensar em pecar e você se achará pecando em pensamento.

Antes da formação da Igreja, nunca um povo havia sido tão privilegiado como foi Israel. E nunca antes o homem tinha afrontado a Deus da maneira que esse mesmo povo afrontou ao condenar seu Messias à morte. A dispensação da Lei continuou até Jesus pagar pela transgressão da mesma Lei, não por ele, mas pela nação de Israel. No capítulo 11 do Evangelho de João isso foi profetizado por Caifás, o sumo sacerdote: “É melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação”. João continua explicando que “ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los em um corpo” (João 11:50-52).

Agora, não mais com o sangue de animais, mas sim de seu próprio Filho, Deus podia tratar com o homem em pura graça na dispensação que leva este nome. “A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 5:20).

Nos próximos 3 minutos Jesus fica num fogo cruzado.

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No fogo cruzado

João 19:1-12

Dois homens são pegos em um fogo cruzado. Um é Jesus, atacado de todos os lados pelo povo, clero e soldados. Logo mais ele seria pego em outro fogo cruzado: a cruz. Suas criaturas continuariam a atacá-lo de um lado, enquanto Deus o atacaria de outro, castigando-o por pecados que ele não cometeu.

No capítulo 50 de Isaías o próprio Jesus descreve, de forma profética, o momento em que é coroado de espinhos e vestido com a capa roxa de um rei: “Ofereci minhas costas para aqueles que me batiam, meu rosto para aqueles que arrancavam minha barba; não escondi a face da zombaria e da cuspida” (Isaías 50:6).

Antes de ter suas mãos e pés perfurados pelos pregos, Jesus precisou permitir, por assim dizer, que Deus furasse suas orelhas. No capítulo 21 do livro de Êxodo, a Lei determinava que um escravo hebreu só seria escravo por seis anos. Ao sétimo ele sairia livre. Porém, se tivesse recebido de seu senhor uma esposa, e esta lhe tivesse dado filhos, apenas ele estaria livre.

Mas havia uma maneira de mostrar seu amor pela esposa: recusar a liberdade. Para isso o seu senhor deveria levá-lo à presença dos juízes, colocar sua orelha de encontro ao batente da porta, e furá-la com uma ponta de metal. A madeira do batente ficaria marcada e a orelha do escravo perfurada. Para sempre ele levaria em seu corpo a marca de seu amor pela mulher.

No Salmo 40, Jesus profeticamente fala ao Pai: “Sacrifício e oferta não quiseste; as minhas orelhas furaste”. Por amor de sua noiva, a Igreja, Cristo se fez servo e se dispôs a morrer. No mesmo Salmo ele continua: “Tenho grande alegria em fazer a tua vontade, ó meu Deus” (Salmos 40:6-8). Por isso neste evangelho vemos um Jesus sereno e tranquilo em meio a chibatadas, socos e cuspidas. Ele sabe que é a vontade do Pai que ele dê sua vida como sacrifício em lugar do pecador.

Pilatos, porém, está atribulado. Três vezes ele disse não ver crime algum em Jesus e tentou fazer os judeus mudarem de ideia. Sua esposa o alertou para não se envolver com aquele justo, pois tivera um sonho ruim. O terror de Pilatos aumenta quando os judeus dizem que Jesus declarou ser Filho de Deus. “De onde você vem?”, pergunta Pilatos a Jesus. Sem resposta. O orgulho de Pilatos lhe sobe à cabeça: “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?”. Agora Jesus responde: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima” (João 19:9-11).

Pilatos está apavorado, porém o brado dos judeus é decisivo: “Se deixares esse homem livre, não és amigo de César” (João 19:12). Pilatos não pretende correr esse risco, por mais que sua consciência lhe diga para fazer o contrário.

Nos próximos 3 minutos é minha vez de perguntar: “Qual é o seu César?”.

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Vem, Senhor Jesus!

João 19:13-16

Pilatos já se decidiu. Não pretende trocar a amizade passageira de César pela companhia eterna de Jesus. Os judeus gritam histéricos “Crucifica-o!”, já decididos de que lado preferem ficar. Quando Pilatos pergunta “Devo crucificar o rei de vocês?”, a resposta unânime dos sacerdotes é: “Não temos rei, senão César” (João 19:15). Eles trocam o Messias que aguardavam há séculos pelo ditador romano.

Muitos deles estariam vivos trinta e poucos anos mais tarde, quando os romanos destruíssem Jerusalém. O Templo, revestido por dentro de madeira e ouro, seria incendiado e depois desmontado pedra por pedra, para os romanos rasparem o ouro derretido. Jesus avisou: “Não ficará pedra sobre pedra” (Mateus 24:2). Ao rejeitarem seu Messias e Rei em troca da ilusão de grandeza e glória que o Império Romano imprimia na mente dos povos conquistados, os judeus perderam tudo.

E você, qual é o seu César? Hoje a Europa, o antigo Império Romano que retorna das cinzas, espera por um líder que restaure suas esperanças de grandeza e glória. Ele virá, a Bíblia diz, mas não é por ele que eu espero. E você?

A esperança do cristão é clara: ele aguarda por seu Senhor, e não pela chegada do anticristo, da tribulação ou de catástrofes globais. As últimas palavras de Jesus em Apocalipse são: “Venho em breve!”. A resposta dos que são seus é: “Amém. Vem, Senhor Jesus!”. Nos seus dias o apóstolo Paulo já esperava o Senhor vir arrebatar sua Igreja. Ele se inclui neste evento ao dizer “nós... os que ficarmos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4:15-18).

Quanto tempo falta? A carta aos hebreus responde: “breve, muito breve”. No grego a palavra “mícron” aparece com o sentido de um átimo. Pelo menos é como irá parecer para aqueles que estiveram com Cristo. A espera terá sido desprezível diante da visão daquele para quem e por meio de quem todas as coisas existem. Em sua carta aos Coríntios, Paulo se inclui outra vez entre estes: “Num momento, num abrir e fechar de olhos... nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52).

Ele não teria dito “nós” se esperasse que o evangelho do reino fosse pregado em todo o mundo, que chegasse a “grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo” (Mateus 24:21), e que o anticristo se manifestasse. Ele disse “nós” porque ser arrebatado para estar com Jesus era o primeiro evento em sua lista de coisas a se cumprirem.

E você, está esperando o quê? Sua agenda é a Bíblia, o calendário asteca ou Nostradamus? Seu bilhete de embarque está marcado para daqui a um piscar de olhos, um ano ou uma década? Você será surpreendido como por um ladrão à noite, que vem para estragar sua festa, ou estará aguardando pelo Noivo, com a expectativa de uma noiva?

Nos próximos 3 minutos Jesus é fichado em grego, latim e hebraico.

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The End”

João 19:16-22

Jesus é levado para fora da cidade e pregado numa cruz. A profecia de Isaías se cumpre quanto aos seus parceiros na morte: “Foi contado entre os transgressores” (Is 53:12). Pilatos manda pregar sobre a cruz a ficha criminal de Jesus, escrita em grego, latim e hebraico, com o motivo da condenação: “JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS” (João 19:19). A execução é universal.

O grego é a língua da cultura, da ciência, das artes, dos esportes e do comércio global. O latim, do invasor romano, é o idioma do poder civil, militar e judiciário. Até hoje o direito romano é ensinado nas escolas. O hebraico é a língua da religião do homem em seu estado natural. Toda a civilização participa da execução; e é executada por ela.

Ao mesmo tempo a cruz anuncia que o único crime pelo qual Jesus está sendo condenado é o de ser quem ele realmente é: o Rei dos judeus. Porém os judeus lhe dão uma cruz em lugar de trono, e espinhos por coroa. Um dia ele voltará para reinar por mil anos sobre o mesmo povo de Israel que o rejeitou e todos os gentios que estiverem na terra.

Mas sua missão aqui não se limita a ser o Messias e Rei dos judeus. Jesus está prestes a cumprir uma obra de valor eterno: tirar o pecado do mundo e salvar o pecador. A primeira carta de Pedro o chama de “o cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos”.

Antes que o mundo existisse, ou que Adão fosse criado e arruinado pelo pecado, Jesus já estava preparado como o Cordeiro a ser sacrificado. O remédio para o pecado estava pronto antes mesmo da chegada da epidemia. Mesmo assim as pessoas ainda procuram por uma salvação em coisas que só vieram a existir depois da criação do mundo. Quais? Religião é uma delas.

A religião é a tentativa de religar o homem a Deus por meio de esforços humanos de compensação pelo pecado. Caridade, boas obras ou penitências são alguns de seus recursos. Outra tentativa é buscar a salvação em uma instituição, seja ela chamada igreja ou com outro nome, ou em algum homem ou ídolo. A pergunta é simples: estas coisas existiam antes da criação do mundo? Então não servem.

Deus não quer religar coisa alguma e nem nos fazer voltar ao estado de Adão. Deus quer pôr um fim no primeiro homem, Adão, e inaugurar uma nova criação em Jesus. “Se alguém está em Cristo, é nova criação” (2 Coríntios 5:17). Na cruz Deus encerra uma etapa. Não é só Jesus que está sendo crucificado ali — com ele morrem o homem, o mundo e o pecado. A cruz é o ponto final onde a velha criação dá lugar à nova. Por isso na cruz ele diz: “Está consumado” (João 19:30).

Nos próximos 3 minutos vemos um sorteio aos pés da cruz.

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O sorteio

João 19:23-24

Em alguns minutos Jesus será o alvo de toda a ira divina contra o pecado. Ele está prestes a morrer no lugar do pecador, sofrendo uma eternidade no lago de fogo condensada em três horas. Quando terminar, Deus se dará por satisfeito e o ressuscitará para nossa justificação. Ele é o primeiro de uma nova criação.

A morte veio por meio de um só homem [Adão], também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem [Jesus]. Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem” (1 Co 15:21-23).

O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente; o último Adão, espírito vivificante... O primeiro homem era do pó da terra; o segundo homem, do céu. Os que são da terra são semelhantes ao homem terreno; os que são do céu, ao homem celestial. Assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial” (1 Co 15:47).

Para Adão e Eva, a primeira evidência de que tinham pecado foi perceberem que estavam nus. Jesus é crucificado despido, e é nesta condição — sem um avental de folhas, um vestido de peles ou suas próprias roupas — que ele se coloca no lugar do pecador para receber a justa paga pelo pecado. Em humilhação e vergonha, sem qualquer proteção contra o fogo do juízo que está prestes a cair sobre si.

Enquanto isso os soldados sorteiam as poucas peças de roupa de Jesus. Eles ignoram que estão cumprindo a profecia do Salmo 22:18 que diz: “Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes”.

Talvez os soldados queiram vender aquelas vestes. Não são diferentes daqueles que hoje usam das coisas de Jesus para enriquecer. Um dia eles dirão: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?”, e o Senhor lhes dirá: “Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!”(Mateus 7:23).

Talvez os soldados queiram aproveitar o poder que as pessoa viam sair daquelas vestes. “Aonde quer que ele fosse... suplicavam-lhe que pudessem pelo menos tocar na borda do seu manto; e todos os que nele tocavam eram curados” (Marcos 6:56). É só pela saúde que você está interessado em Jesus?

O Evangelho de João é o único que diz que a túnica “era sem costura, tecida numa única peça, de alto a baixo” (João 19:23). Cada evangelho apresenta Jesus de uma maneira. Em Mateus ele é o Rei, em Marcos o Servo, em Lucas o Homem e em João, Deus. A túnica sem costura, tecida numa única peça, simboliza a perfeição divina de Jesus. Ele é o Homem perfeito, sem costura, ele é Deus.

Nos próximos 3 minutos Maria é entregue aos cuidados de João.

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João cuida de Maria

João 19:25-27

Algumas mulheres estão próximas da cruz, inclusive Maria, mãe de Jesus. Ao lado dela está João, o autor do evangelho. Devemos observar o tratamento usado entre Jesus e os discípulos, a fim de nos precavermos do erro de adotar títulos espirituais ou eclesiásticos sem qualquer base bíblica.

Jesus chama a Deus de Pai, mas não faz o mesmo com José, seu pai adotivo. Maria é chamada pelos discípulos de “mãe de Jesus”, mas nunca de “mãe de Deus”. Jesus, por sua vez, não a chama de mãe, e sim de “mulher”, uma expressão equivalente a “senhora”. Depois que os judeus alegam que o poder de Jesus viria do príncipe dos demônios, ele rompe seus vínculos naturais com Israel.

Vemos isto quando avisam que sua mãe e irmãos o procuram. Sua resposta é: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”, e apontando para os discípulos, diz: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Pois quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mateus 12:46-50). A última referência a Maria é no capítulo 1 do livro de Atos. Ela não é mencionada nas epístolas, que são as cartas que contêm a doutrina dos apóstolos para a Igreja.

Os discípulos não chamavam outros discípulos de “pai”, mas encontramos João e Paulo chamando de “filhinhos” a seus filhos na fé, aqueles aos quais pregaram o evangelho. O tratamento é de mão única, pois o próprio Jesus ordenou: “A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus” (Mateus 23:9). O catolicismo adota para seus líderes o título de “padre”, que é “pai” em latim, numa clara desobediência à ordem de Jesus. Também usa o título “monsenhor”, de origem francesa, que significa “meu senhor”. Porém Paulo ensina: “Para nós... há um único Deus, o Pai... e um só Senhor, Jesus Cristo” (1 Coríntios 8:6).

Vemos os discípulos chamarem a Jesus de Senhor, mas nunca de “Amigo”. Só ele podia chamá-los de “Amigos”, por revelar a eles coisas que só um amigo deveria saber. Também não os vemos chamando a Jesus de Pai ou de Rei, por não ser esta nossa relação com ele. Ele é Rei para Israel, mas para a Igreja ele é Senhor. Entender estas coisas nos ajuda a compreendermos melhor a Palavra de Deus.

Na cruz Jesus preocupa-se com Maria. “Aí está seu filho”, diz a ela, referindo-se a João. “Aí está a sua mãe”, diz ele a João. “Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (João 19:26-27), numa clara indicação de que seria João quem cuidaria de Maria, e não o contrário. E ambos poderiam contar com Jesus no céu cuidando deles. Ele já havia franqueado esse acesso, ao dizer: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11:28). É a ele que nós também devemos recorrer em busca de um perpétuo socorro.

Nos próximos 3 minutos Jesus faz um pedido.

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Tenho sede”

João 19:28-29

Na cruz Jesus sofre como homem. Ferido e desidratado, ele pede água. “Tenho sede” (João 19:28), diz o criador do universo, dos rios e oceanos. Em seu andar aqui ele alimentou, curou e trouxe refrigério a muitos, mas nunca fez algo em benefício próprio. O Salmo 22 descreve este momento: “Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte” (Salmos 22:15).

No capítulo 1 deste evangelho João diz que por meio de Jesus todas as coisas foram criadas. A carta aos Hebreus ensina que ele é o que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. O livro de jó diz que ele é o que abre “um canal para a chuva torrencial, e um caminho para a tempestade trovejante, para fazer chover na terra em que não vive nenhum homem, no deserto onde não há ninguém, para matar a sede do deserto árido e nele fazer brotar vegetação” (Jó 38:25-27). Aqui, porém, ele não desvia uma gota sequer para seus lábios ressequidos.

O mesmo capítulo 38 de Jó revela que aos ímpios a luz de Deus é negada. Na cruz, densas trevas caem sobre a terra. A santidade de Deus não pode ter comunhão com o pecado, por isso Jesus deve sofrer ali sozinho e sem luz. Nada descreve de forma tão gráfica o seu sofrimento como a passagem profética do livro de Lamentações. Ali ele fala do juízo que está recebendo do próprio Deus: “Eu sou o homem que viu a aflição trazida pela vara da sua ira. Ele me impeliu e me fez andar na escuridão, e não na luz; sim, ele voltou sua mão contra mim vez após vez, o tempo todo. Fez que a minha pele e a minha carne envelhecessem e quebrou os meus ossos. Ele me sitiou e me cercou de amargura e de pesar. Fez-me habitar na escuridão como os que há muito morreram. Cercou-me de muros, e não posso escapar; atou-me a pesadas correntes.

Mesmo quando chamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração. Ele impediu o meu caminho com blocos de pedra; e fez tortuosas as minhas sendas. Como um urso à espreita, como um leão escondido, arrancou-me do caminho e despedaçou-me, deixando-me abandonado. Preparou o seu arco e me fez alvo de suas flechas. Atingiu o meu coração com flechas de sua aljava.

Tornei-me motivo de riso de todo o meu povo; nas suas canções eles zombam de mim o tempo todo. Fez-me comer ervas amargas e fartou-me de fel. Quebrou os meus dentes com pedras; e pisoteou-me no pó. Tirou-me a paz; esqueci-me do que significa prosperidade. Por isso digo: ‘Meu esplendor já se foi, bem como tudo o que eu esperava do Senhor’. Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim” (Lamentações 3:1-20).

Em resposta ao seu pedido de água, os soldados lhe dão vinagre, cumprindo assim mais uma profecia do Antigo Testamento. Sabe por que Jesus sofreu tanto ali? Por você e por mim. Eu sei que ele pagou ali pelos meus pecados. E você?

Nos próximos 3 minutos Jesus entrega sua vida em sacrifício pelo pecado.

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Está consumado”

João 19:30

As últimas palavras de Jesus na cruz são “Está consumado”. E o texto acrescenta: “Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito” (João 19:30). É muito importante entender a singularidade destas duas frases, “está consumado” e “entregou o espírito”, porque são coisas que jamais poderão ser ditas de homem algum, só de Jesus.

O sentido do “está consumado” é de algo resolvido, e é a mesma palavra grega usada para uma dívida quitada. Jesus está dizendo que está terminado, a dívida está paga, é o fim da questão. Ninguém mais poderá cobrar uma dívida que foi paga, e ninguém poderá condenar um ex-detento que cumpriu toda a sua pena.

Mas que dívida Jesus tinha para ter assim pago na cruz? Que pena de morte era essa que ele cumpriu até o final? A minha dívida e a minha pena. Ao morrer na cruz, aquele que não tinha pecado, jamais pecou e era incapaz de pecar, foi feito pecado em meu lugar. Ali os meus pecados foram colocados sobre ele e Deus o julgou como se estivesse julgando a mim.

Se eu tivesse que me encontrar com Deus no final meu destino certo seria o lago de fogo. Uma pena eterna de dor e ranger de dentes. Eu mesmo não poderia fazer nada para amenizar isso, pois se trata de uma questão judicial. O bom comportamento de um criminoso ao longo de sua vida não diminui a gravidade de seu crime. Ele deve ser julgado.

Eu, um pecador perdido, só poderia ser salvo se alguém sem qualquer mancha de pecado assumisse minha culpa e tomasse o meu lugar no juízo. Foi o que Jesus fez, ou ninguém jamais poderia ser perdoado e salvo eternamente. É por isso que posso ter a certeza de que todos os meus pecados já foram julgados: Jesus os levou sobre si quando eu nem sequer ainda existia.

O valor da cruz se estende em ambas as direções da história da humanidade — para o passado e para o futuro. Os que antes morreram crendo na misericórdia e graça de Deus, de que ele faria algo pelo pecador, foram salvos pela obra de Cristo na cruz. Os que vieram depois e creram que Deus já providenciou o Cordeiro para o sacrifício, e que este foi consumado ali, são salvos pela mesma obra.

Os que continuam tentando obter a salvação confiando em sua própria religião, caridade ou obras de justiça, jamais conseguirão obter o perdão. É simples entender isto: perdão é algo que você faz por merecer ou é algo que a parte ofendida dá por graça e misericórdia?

Assim é a salvação daquele que crê em Jesus. O que você merecia — o castigo eterno — a misericórdia de Deus não lhe dá. O que você não merecia — a salvação eterna — a graça de Deus lhe dá. É por isso que se chama graça, caso contrário se chamaria dívida.

Nos próximos 3 minutos saiba por que só Jesus era capaz de morrer.

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Morrer

João 19:30

O verbo morrer, no sentido da morte de Jesus, deveria ser um verbo defectivo, como colorir, reaver ou precaver. Você jamais poderá conjugar estes verbos na primeira pessoa, dizendo “eu coloro”, “eu reavo” ou “eu precavo”. Apesar de sermos capazes de conjugar o verbo morrer na primeira pessoa, não somos capazes de morrer na prática. Eu explico.

Uma pessoa pode ser morta por uma doença, acidente ou ação criminosa. Ela pode tirar a própria vida tornando-se homicida de si mesma, mas não pode simplesmente morrer. Ninguém é capaz de parar o próprio coração ou desligar suas funções cerebrais. Ninguém é capaz de entregar o espírito, devolvendo-o a Deus. Exceto Jesus.

No capítulo 10 deste Evangelho de João, Jesus diz ter um poder sobre-humano: dar a sua vida. Ele diz: “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem [ou poder] recebi de meu Pai”. Os judeus entenderam muito bem o que ele quis dizer, pois “muitos deles diziam: ‘Ele está endemoninhado e enlouqueceu’”. (João 10:15-20).

Jesus tinha tanto o poder de entregar sua vida — de realmente morrer na primeira pessoa — como de ressuscitar. Ele faz uso desse primeiro poder na cruz, mas não ressuscita por si próprio na sepultura. Deus irá fazê-lo, reconhecendo assim que seu foi sacrifício cumpriu toda a justiça. Porque Jesus vive, aqueles que creem nele podem ter a certeza, não apenas de que já foram julgados em Cristo, como de terem nele a garantia da ressurreição.

Obviamente tudo isso só é possível pela fé, que “é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Você não é salvo pela razão, mas por tocar o invisível. “Pela fé [e não pela ciência] entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível... Pela fé Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam [chuva e dilúvio], movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família... Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo... Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11).

Agora você já sabe que se quiser receber o perdão de seus pecados e ter sua dívida para com Deus quitada sem passar pelo juízo final, precisará crer em Jesus; exercitar fé nele e em sua Palavra. Não existe outra maneira. Esta é a única que dá a Deus, e não a você, todo o mérito da sua salvação.

Nos próximos 3 minutos do corpo de Jesus saem sangue e água.

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O lado ferido

João 19:31-37

Apesar de matarem um inocente, os judeus tentam fazer isso dentro de sua própria versão da Lei de Moisés. Decidem tirar os corpos da cruz para evitar que permaneçam ali no sábado. Porém em Deuteronômio 21, a Lei determinava que quem morresse no madeiro devia ser sepultado no mesmo dia, independente de ser sábado ou não.

Eles decidem apressar a morte dos condenados, mas isso não é feito com um golpe de misericórdia na cabeça; suas pernas são quebradas. Duas ou mais marretadas esmigalham seus ossos, impedindo que eles continuem apoiados nos próprios pés. Pendurados pelos braços e incapazes de tomar fôlego, tem início uma nova agonia: a morte por asfixia.

Mas os ossos de Jesus não são quebrados, pois ele já está morto. Será que os judeus repararam no significado disso? Quando Deus instituiu a Páscoa, ao libertar os israelitas do Egito, ele ordenou que nenhum osso do cordeiro sacrificado fosse quebrado. Jesus é sacrificado aqui com seus ossos intactos.

Para certificar-se de que Jesus está morto, o soldado enfia a lança no seu cadáver. Sangue e água vertem da ferida. Se você já tem a certeza de estar pronto para se encontrar com Deus, e isto não por seus próprios méritos, saiba que é a água e o sangue de um corpo morto que lhe dão esse privilégio.

No Salmo 51 o rei Davi se conscientiza de seu pecado — adultério e morte do marido traído — reconhecendo-se sujo e incapaz de apagar suas transgressões: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável” (Salmos 51:1-10).

Se você quiser viver eternamente no céu precisará reconhecer a perdição que existe dentro de você: o pecado que o corrói. Jesus disse que não veio “chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Lucas 5:32). Você se considera justo? Então não conte com a salvação que Jesus oferece. Você se reconhece pecador? Então é por você que Jesus morreu.

Mas o que significam o sangue e a água que saem do corpo de Jesus? Veja nos próximos 3 minutos... e nos outros também.

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Deus limpa, transforma e dá o Espírito

Ezequiel 36:23-33

Se você ler o capítulo 36 do livro de Ezequiel, dos versículos 23 ao 33, verá a promessa de salvação para Israel. Ali encontramos o modo como Deus salva, o qual é o mesmo para você e para mim. Repare como tudo é Deus quem faz.

Primeiro existe um reconhecimento de pecado e Deus entra em cena separando aquele que ele quer salvar. A passagem diz: “Eu os tirarei das nações”, que profanaram o santo nome de Deus. O versículo 25 diz: “Aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão puros; eu os purificarei de todas as suas impurezas”.

Deus continua: “Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis... vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Eu os livrarei de toda a sua impureza” (Ezequiel 36:26-27).

Veja que tudo é obra exclusivamente de Deus, não do homem. Este recebe de Deus uma nova perspectiva, novos sentimentos, novos desejos. E não para aí: “Então vocês se lembrarão dos seus caminhos maus e das suas ações ímpias, e terão nojo de si mesmos por causa das suas iniquidades e das suas práticas repugnantes... no dia em que eu os purificar de todos os seus pecados...”(Ez 36:31-33).

Veja a sequência: Deus limpa — “Aspergirei água pura sobre vocês” —; Deus transforma — “Darei a vocês um coração de carne” —; e Deus dá o Espírito Santo — “Porei o meu Espírito em vocês”. Aí sua vida muda e você passa a pensar e a agir como alguém da família de Deus: Eu “Os levarei a agirem segundo os meus decretos... vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus”. Você passará a sentir nojo do pecado: “Terão nojo de si mesmos... no dia em que eu os purificar”.

Deus explica por que faz isso: “Quero que vocês saibam que não estou fazendo isso por causa de vocês” (Ezequiel 36:32). Tudo o que faz com você é por causa da glória dele, e é justamente aí que está a sua segurança. Deus salva você por causa da reputação dele, e não pelo que você é. Eu e você somos pecadores e tudo o que merecemos é a condenação eterna por causa dos nossos pecados.

Depois de salvá-lo, Deus não irá perder você por nada. Lembre-se de que a reputação dele está em jogo. Ninguém poderá tirar você das mãos de Deus: nem o diabo, nem seus pecados e nem você mesmo. Jesus confirma: “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um” (João 10:28-30).

Você irá entender melhor nos próximos 3 minutos, quando descobrir que sua salvação é de cima para baixo, do céu para a terra, de Deus para você.

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Carne ou espírito

João 19:31-37

Nos últimos 3 minutos vimos que a salvação tem origem em Deus, e não no homem. É Deus quem limpa, transforma e dá o Espírito Santo. Tudo isso graças ao sangue e à água que saíram do corpo morto de Jesus. Vamos agora escutar o que Jesus está dizendo a Nicodemos no capítulo 3 do Evangelho de João: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo... se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito”(João 3:3-6). Como tudo na vida começa com um nascimento, não é diferente a vida nova que você tem em Cristo. É preciso nascer de novo.

Se você acompanhou os últimos 3 minutos viu que primeiro vem a água da purificação, e então Deus dá um novo coração e uma nova natureza que é do céu. Enquanto isso a carne continua a mesma, incapaz de melhorar. “O que nasce da carne é carne”, diz Jesus, mas “o que nasce do Espírito é espírito”. Então você passa a viver com duas naturezas: a velha, que é incapaz de melhorar por estar totalmente arruinada, e a nova, que é igualmente incapaz de melhorar porque é vinda de Deus, portanto perfeita.

A menos que você mantenha a velha natureza mortificada, pois a cruz deu um fim nela, você continuará tendo maus pensamentos e o desejo de pecar. Para não dar chance à velha natureza, é preciso andar no Espírito, que é a mola propulsora da nova natureza. Você viverá assim até o dia da ressurreição, quando passará a viver em um corpo semelhante ao de Jesus.

Mas de que água Jesus está falando a Nicodemos, quando fala de “nascer da água”? Certamente não é do batismo, que simboliza morte e não vida. Ele fala da água da purificação, como a que saiu do lado ferido de Jesus. Efésios 5:26 diz que Jesus entregou-se a si mesmo pela Igreja, “para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável”.

Não há dúvida, portanto, de que a água que lava e purifica você, aplicada pelo Espírito Santo em sua alma, é a Palavra de Deus. Ela também o regenera, preparando-o para a nova vida: “Pois vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, viva e permanente” (1 Pedro 1:23).

Hebreus 10:22 fala do acesso que o crente tem à presença de Deus, sem ser julgado ou consumido por sua santidade: “Aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura”. A água pura você já sabe o que é. Mas o que significa “corações aspergidos”? Veremos isto nos próximos 3 minutos.

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Um Deus propício

Levítico 16

Sua nova vida começa com água — a água da Palavra de Deus. Assim foi também em figura na festa de casamento em Caná, na Galileia, quando Jesus ordenou que os servos enchessem as talhas de pedra com água até em cima. Então ele transformou a água em vinho. Primeiro vem a Palavra, depois a vida e alegria.

Todos os salvos por Cristo, de todas as épocas, um dia saberão que sua salvação só foi possível graças ao sangue e à água que saíram do lado ferido de Jesus. Seu valor e eficácia são eternos, atendendo às santas demandas de Deus, tanto para os que viveram antes da cruz, como depois dela. No Antigo Testamento Deus já havia sinalizado que a salvação seria assim: por meio do sangue e da água.

Se você ler o capítulo 8 de Levítico, verá que a consagração dos sacerdotes começava com a água da purificação, na qual eram banhados. Depois vinha o sangue do sacrifício. Água e sangue, representando a Palavra de Deus, que purifica, e o sangue de Cristo, que permite nos aproximarmos de Deus.

Em Levítico, capítulo 16, você encontra a mesma ordem de água e sangue para o sacrifício. Primeiro o sacerdote toma um banho com água, antes de colocar suas vestes de linho. Então um novilho é sacrificado para fazer propiciação pelo próprio sacerdote e por sua família.

Para entender de maneira simples a palavra “propiciação”, pense nela como Deus sendo propício a você, permitindo que entre na presença dele sem ser consumido, já que alguém deu a vida em seu lugar. Quando encontrar a palavra “Expiação”, pense na expressão “bode expiatório”, que popularmente é entendida como alguém que toma a culpa e é castigado no lugar do culpado. E a palavra “aspergir” significa simplesmente “borrifar” um líquido com os dedos, neste caso, sangue.

No mesmo capítulo aparecem dois bodes: um para servir de expiação pelo pecado, outro como bode emissário. Um era morto, o outro era solto no deserto. Mas antes de soltá-lo, o sacerdote colocava suas mãos sobre a cabeça do bode e confessava os seus pecados e os do povo. Então o bode solto para levar embora os pecados.

Percebe como esses sacrifícios prefiguravam o sacrifício de Cristo feito uma só vez para tirar os pecados? Jesus tanto morreu, assumindo nossa culpa, como também levou nossos pecados para nunca mais serem trazidos de volta. O sangue do novilho morto era levado para o interior do tabernáculo e ali espargido ou borrifado sobre a tampa da arca da aliança. Qual era o nome dessa tampa? Propiciatório. O sangue era colocado diante de Deus como um lembrete para ele ser propício para com o pecador, pois alguém já tinha dado a vida em seu lugar.

Depois de saber que há tanto tempo Deus já indicava um substituto para você — Jesus — como é que você ainda ousa querer merecer sua salvação com boas obras ou com seus próprios sacrifícios? Será que ainda não caiu a ficha?

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Fim de carreira

João 19:38-42

O capítulo 19 do Evangelho de João termina com o fim da carreira de três pessoas: Jesus, José de Arimateia e Nicodemos. Jesus encerra sua carreira aqui cumprindo a obra que o Pai lhe havia dado: morrer como um sacrifício em lugar do pecador. Logo ele ressuscitaria e subiria ao céu onde permanece até hoje.

Durante o julgamento e morte de Jesus os apóstolos evitaram qualquer associação com o condenado. Pedro chegou até a negar que o conhecia. É nessas horas que vemos aqueles que se gabam de sua fidelidade saírem de cena, e os mais improváveis tomarem o seu lugar. É o que acontece com estes dois homens, José de Arimateia e Nicodemos.

Ambos tinham uma carreira bem sucedida como homens públicos e membros do sinédrio, o poder legislativo de Israel. Eles eram o que hoje chamamos de senadores, e Nicodemos também pertencia à seita dos fariseus, os líderes religiosos que perseguiam a Jesus.

Nicodemos aparece no capítulo 3 deste evangelho conversando com Jesus à noite, com medo de ser visto em sua companhia. No capítulo 7 ele aparece um pouco mais ousado, defendendo Jesus diante de outros senadores e fariseus. Agora nós o vemos com José, pedindo a Pilatos para liberar o corpo de Jesus. Quem mais poderia fazê-lo? Os pescadores Pedro, Tiago e João? Não, Pilatos jamais receberia alguém que não fosse do seu nível social. Deus os preparou para essa hora.

Ambos tinham sido discípulos de Jesus secretamente, mas isso acaba aqui. A partir de agora todos saberão que eles são tão dedicados a Jesus que não se importam de enterrar suas carreiras junto com o cadáver. A partir de agora eles serão rejeitados e perseguidos como qualquer outro cristão.

José cede seu próprio sepulcro. Nicodemos traz mais de trinta quilos de unguentos aromáticos. Os dois homens passam o unguento no corpo de Jesus enquanto o envolvem em faixas de linho. A Lei dos judeus considerava imundos aqueles que cuidavam de cadáveres, mas José e Nicodemos não estão preocupados com isso.

O apóstolo Paulo, outro nobre fariseu, um dia também deu adeus à sua carreira e chamou de esterco toda a sua bagagem social e cultural ao compará-la com o privilégio de conhecer a Cristo. Hoje, no céu, Paulo, José e Nicodemos não têm dúvidas de que valeu a pena assumir publicamente sua fé em Jesus. O mundo não era digno daqueles homens e continua não sendo digno de todos os que assumem uma posição por Jesus, à vezes ao custo de uma carreira, de familiares e amigos, ou mesmo de um relacionamento afetivo.

Como lição de casa sugiro que você leia o capítulo 11 da carta aos Hebreus, e conheça alguns dos milhões que fizeram o mesmo antes mesmo de Jesus ter vindo ao mundo. E nos próximos 3 minutos, Maria Madalena tem uma surpresa.

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Maria de Magdala

João 20:1-2

É madrugada do primeiro dia da semana e Maria Madalena já está diante do sepulcro. A morte de Jesus deixou nela uma impressão amarga, e também nas outras mulheres que acompanharam tudo aos pés da cruz. Jesus está morto, e com ele morrem as esperanças de um futuro brilhante para Israel.

Ela chega à sepultura enquanto ainda está escuro. O Evangelho de Lucas menciona outras mulheres se dirigindo ao sepulcro nesse dia, mas o Evangelho de João fala apenas de Maria Madalena. Talvez por ela ter chegado primeiro, ou pelo relato estar alinhado com o caráter deste Evangelho de João.

João é o discípulo amado, aquele que tinha intimidade suficiente para se reclinar sobre o peito de Jesus. Neste evangelho Jesus é mostrado como o Deus acessível ao homem, como aquele que saiu da glória para salvar o pecador. “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18).

Cerca de mil e quinhentos anos antes Moisés subiu a uma montanha que fumegava como uma gigantesca fornalha para encontrar-se com Deus e receber as tábuas da Lei. Qualquer que tocasse o monte seria fulminado. O chão tremia e uma nuvem espessa descia sobre o lugar. Enquanto trovões e raios rasgavam o céu, um som ensurdecedor apavorava o povo de Israel que aguardava na planície.

Foi em um cenário aterrador que Deus apresentou ao povo o padrão que jamais iriam atingir. “Faremos tudo o que o Senhor ordenou” (Ex 19:8), respondeu o povo em seu orgulho e pretensão. Por cerca de mil e quinhentos anos os judeus fingiram guardar os mandamentos de Deus, que só serviam para apontar que eles estarem fora dos padrões divinos. Não que a Lei de Deus seja ruim. Ela é perfeita. O problema está no homem.

Tudo mudou com a vinda de Jesus. “A Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (João 1:17). Graça e verdade são as marcas da atual dispensação. Em Jesus, Deus se deixa tocar. Aquele que é 100% divino passou a ser também 100% Homem. Duas naturezas em um mesmo Ser, o mistério da encarnação.

Porém Maria Madalena ainda não sabe disso. Para ela Jesus é o Messias prometido, aquele que traria de volta à Israel a glória do reino de Salomão, inaugurando uma era de paz e prosperidade. Mas ele está morto em um sepulcro fechado por uma grande pedra e lacrado. Mas espere! A pedra não está no lugar! Alguém violou o sepulcro! Maria sai correndo ao encontro de Pedro e João e soa o alarme: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!” (João 20:2).

Nos próximos 3 minutos, conheça o primeiro a crer sem ver.

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O primeiro

João 20:3-10

Pedro e João são pegos de surpresa. Maria Madalena, aflita e ofegante, chega do sepulcro de Jesus dando a eles a notícia: o corpo sumiu. A grande pedra foi tirada e o sepulcro está vazio! Pedro e João saem em disparada.

João é o primeiro a chegar, mas não entra na gruta escavada no barranco. Ele espia dentro e vê as faixas de linho que tinham sido enroladas no corpo de Jesus. Pedro chega, entra, e vê as faixas e também o lenço que tinha sido colocado sobre a face de Jesus. Ao contrário do que diz a lenda do Santo Sudário, o corpo de Jesus foi sepultado enrolado em faixas de linho, conforme o costume da época.

Alguns capítulos antes você viu a história da ressurreição de Lázaro, quando “Jesus bradou em alta voz: ‘Lázaro, venha para fora!’. O morto saiu, com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho, e o rosto envolto num pano. Disselhes Jesus: ‘Tirem as faixas dele e deixem-no ir’” (João 11:43-44).

Lázaro, com as mãos e pés presos pelas faixas, foi incapaz de se livrar das faixas de tecido, mesmo depois de voltar a viver. Ele precisou de ajuda para isso. Se Jesus ressuscitou da mesma maneira que Lázaro, quem o ajudou a desatar as faixas? A menos que a ressurreição de Jesus tenha sido diferente. E foi.

Lázaro ressuscitou, porém iria morrer novamente depois. Era o mesmo corpo, apenas curado e revivido, mas ainda sujeito à doença, morte e degeneração. Jesus ressuscitou como primícias da nova criação, o protótipo dos que aguardam a ressurreição em um corpo de carne e ossos, porém celestial. Um corpo diferente.

Tão diferente que pôde sair de dentro daquele emaranhado de faixas de linho sem desenrolá-las ou rasgá-las. Tão surpreendente ao ponto de aparecer no meio dos discípulos numa sala com portas e janelas fechadas. Mas ao mesmo tempo tão real que comeu peixe e mel diante deles. Não era um corpo etéreo, um espírito ou assombração. Era o próprio Jesus, corpo, alma e espírito.

Depois de Pedro, João entra no sepulcro e aqui diz que “ele viu e creu” (João 20:8). Como assim creu? Creu em quê? Não há nada ali para crer, além de um sepulcro vazio e faixas de tecido! Exatamente. João creu no invisível, e é com o invisível que a fé se ocupa. Cremos em alguém que não vemos, em Jesus, que morreu para nossa salvação e ressuscitou para nossa justificação.

João agora entende passagens como a do Salmo 16: “Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranquilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição” (Salmos 16:9-10). Quantas vezes Jesus falou de sua morte e ressurreição e os discípulos não entenderam? Quantas vezes você já ouviu a mesma história e ainda não entendeu?

Nos próximos 3 minutos Maria Madalena escuta alguém chamar seu nome.

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Que Jesus você procura?

João 20:11-16

Enquanto Pedro e João voltam para casa, Maria Madalena permanece diante do sepulcro vazio. Ao contrário de João, ela ainda não entendeu que Jesus ressuscitou de entre os mortos. Seu coração continua aflito e angustiado como o coração de qualquer pessoa que percebe que a morte é inevitável, porém não desfruta da certeza da ressurreição e da vida eterna.

Ela decide espiar dentro do sepulcro e vê dois anjos vestidos de branco, sentados no local onde estivera o corpo de Jesus. Eles perguntam: “Mulher, por que está chorando?”, e ela responde, “Levaram embora o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (João 20:13). Maria não percebe que são anjos, e nem há como saber. Afinal, os únicos seres angelicais que apareceram com asas na Bíblia são os querubins e serafins, duas classes especiais de anjos. Os demais sempre foram vistos em forma humana e falando a língua dos homens, e não alguma língua de anjos.

Maria percebe alguém se aproximando, e este repete a pergunta dos anjos: “Mulher, por que está chorando?”, e acrescenta: “Quem você está procurando?”. Maria pensa ser o jardineiro e suplica: “Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou e eu o levarei” (João 20:15). Ela ainda não percebeu que está conversando com o próprio Jesus ressuscitado. “Maria!”, diz ele, chamando-a pelo nome.

Só então Maria reconhece Jesus. O modo peculiar como Jesus a chama pelo nome imediatamente desperta nela uma avalanche de emoções. “Rabôni!”, exclama ela em aramaico, que quer dizer “Mestre”. Não irá demorar até Maria perceber que Jesus não é apenas o Mestre que ela e os outros conheciam. Logo ela entenderá que Jesus é o Salvador, o Emanuel, o Filho de Deus vindo em carne.

Será que você está como Maria, sem reconhecer Jesus? Procurando por um morto, quando ele vive? Ou quem sabe você esteja em busca do Jesus que multiplicou os pães, sem perceber que ele não veio trazer comida, mas levar pecados. Será que a sua busca é por um Jesus curandeiro, que lhe garanta mais alguns anos de vida capenga neste mundo? O verdadeiro Jesus quer lhe dar vida eterna!

E o Jesus talismã, será este que você busca, para livrá-lo dos perigos, do mau olhado, das feitiçarias? Você deve estar brincando! A Palavra de Deus garante ao que crê em Jesus que “Nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38).

Maria procurava pelo Jesus Mestre. Muita gente pensa assim, acreditando que é pelo aprendizado que se chega ao céu, e que a salvação seja um interminável processo de evolução do espírito. Nos próximos 3 minutos você sentirá vergonha de um dia ter pensado que podia ser salvo por seus esforços para se tornar alguém melhor.

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Eu vi o Senhor!”

João 20:17-18

Maria Madalena está surpresa. Diante de Jesus ressuscitado o desejo dela é que ele permaneça para sempre na terra com os discípulos. Como nos bons tempos, quando caminhava com eles ensinando, alimentando e curando a multidão. Ela não quer que isso termine nunca; ela quer segurá-lo por aqui. Mas Jesus avisa: “Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai” (João 20:17).

Os discípulos não teriam mais a companhia física de Jesus na terra, pois ele precisava voltar ao Pai. Ao morrer, o espírito de Jesus voltou para Deus, cumprindo assim a promessa que havia feito ao malfeitor que morreu na cruz: “Hoje você estará comigo no paraíso” (Lucas 23:43). Mas sua obra não estaria terminada sem a ressurreição, e este é o evangelho completo, do qual Paulo fala em 1 Coríntios 15: “Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei... Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15:1-4).

Qualquer mensagem que não inclua a morte de Jesus pelos nossos pecados, e sua ressurreição para nossa justificação, não é o evangelho, “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16). Se o grão de trigo não morresse, ele ficaria só. Mas ele morreu e agora a casa do Pai ficará cheia. Ao completar sua obra de redenção Jesus colocou os que são salvos por ele na mesma posição que agora ocupa diante do Pai.

Se você crê em Jesus, é essa obra, e não os seus próprios esforços, sua caridade ou perseverança, que permite a você chegar diante de Deus purificado, regenerado e adotado como filho. Você é colocado na mesma posição que Jesus agora ocupa diante do Pai. Você ouviu isso? Deus o vê como se estivesse olhando para Jesus: puro, perfeito e imaculado. Será que agora você não está envergonhado de ter tentado entrar no banquete que Deus preparou levando seu pão com mortadela de religião, boas obras e perseverança?

A mensagem que Jesus dá a Maria Madalena mostra a realidade dessa nova posição recebida por graça, e não por mérito: “Vá a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês” (João 20:17). Eles tinham sido chamados de servos e amigos. Agora Jesus os chama de irmãos; ganharam o lugar de filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo. Se você já creu em Jesus, se já tem a certeza do perdão de seus pecados e da vida eterna, então agora você pode chamar a Deus de Pai. Só agora.

Maria Madalena corre contar tudo aos outros discípulos, começando pela notícia de tirar o fôlego: “Eu vi o Senhor!”. Eles também verão, mas só nos próximos 3 minutos.

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O dia do Senhor

João 20:1-19

Maria Madalena corre contar aos discípulos que viu o Senhor e ele os chamou de “irmãos” e filhos de seu Pai. Para um judeu, chamar a Deus de Pai estava fora de questão. Era intimidade demais com o Criador. Porém Jesus deixa claro que aqueles que creem nele são colocados na mesma posição de total aceitação que ele desfruta perante o Pai. Caso contrário ele não nos chamaria de “irmãos”.

Quando você ler a Bíblia, saiba que o Espírito Santo não desperdiça palavras. Se ele diz algo, é melhor acatar, pois existe uma razão de ser. É o caso do dia mencionado no início deste capítulo 20do Evangelho de João: “o primeiro dia da semana”. No versículo 19 diz “ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana”. O “primeiro dia da semana” é o que hoje chamamos de domingo.

Foi nesse dia que Jesus ressuscitou e apareceu a Maria Madalena e também às outras mulheres, segundo o relato de Mateus no capítulo 28 de seu evangelho. Também apareceu a Cleopas e ao outro discípulo no caminho de Emaús, como nos informa Lucas, no capítulo 24 de seu evangelho, onde também fala de uma aparição particular a Simão Pedro (Mateus 28:1-9; Lucas 24:15, 34).

É no “primeiro dia da semana” que Jesus se coloca no meio dos discípulos reunidos. Em Atos capítulo 20 Lucas escreve que “no primeiro dia da semana reunimo-nos para partir o pão”. Paulo, em sua primeira carta aos coríntios, ensina: “No primeiro dia da semana, cada um de vocês separe uma quantia, de acordo com a sua renda”, para ajudar os mais necessitados (1 Co 16:2).

João chama de “dia do Senhor” o primeiro dia da semana, quando recebe a revelação do Apocalipse (Ap 1:10). Não se trata do “dia do Senhor” em que ele descerá do céu para julgar as nações e, mil anos depois para destruir a terra (2 Pedro 3:10). No original João diz “dia do Senhor” no mesmo sentido de “ceia do Senhor” de 1 Coríntios 11, ou seja, o dia que pertence ao Senhor. Na Bíblia em inglês fica mais fácil perceber a diferença: o dia de juízo é chamado “the day of the Lord”, e o dia da semana, que João menciona em Apocalipse, é “the Lord’s day”.

O domingo era um dia especial para aqueles discípulos, o dia em que o Senhor ressuscitou e também se colocou no meio deles. Era o dia em que eles separavam o que pretendiam colocar na coleta para suprir as necessidades dos irmãos carentes e da obra do Senhor. Era também no “dia do Senhor” que se reuniam para celebrar a “ceia do Senhor”. O domingo não é o sábado da Lei dada aos judeus, mas é um dia especial para o cristão. É o primeiro dia, o princípio, “o dia do Senhor”, o dia que é dele e deve ser dedicado a ele.

Nos próximos 3 minutos Jesus garante aos seus discípulos aquilo que os homens tanto procuram: a paz.

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Paz seja com vocês”

João 20:19-20

Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘Paz seja com vocês!’ Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor” (João 20:19). É assim que João descreve a primeira reunião que eles têm com Jesus no meio.

Os discípulos têm medo dos judeus, e não é sem razão. Aquele que eles consideravam o Messias e Rei de Israel tinha morrido e eles sentem falta de sua presença física. Antes eles se sentiam seguros na companhia daquele que podia domar as tempestades, mas agora estão reunidos com portas e janelas trancadas para impedir a entrada de qualquer um. Mas Jesus não é qualquer um.

O texto não diz como ele aparece ali sem arrombar a porta, mas o fato em si explica muita coisa. O corpo ressuscitado é imune às limitações impostas pelas leis da física. Ali está um Homem de carne e ossos que atravessa paredes, ou simplesmente aparece no meio deles com o mesmo tipo de corpo que os salvos ressuscitados terão. Com uma exceção: no céu, apenas Jesus terá cicatrizes.

A reação dos discípulos é de alegria. Pela segunda vez Jesus lhes diz “Paz seja com vocês!”, assegurando que já não existe mais a possibilidade de cair sobre eles a ira divina. Todo o juízo de Deus tinha sido derramado em Jesus. Uma vez morto e ressuscitado, a obra está completa. O apóstolo Paulo escreve aos colossenses explicando quem é Jesus: Ele é o “Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis... criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Colossenses 1:13-20).

Se você ainda não tem a certeza de seus pecados perdoados; se para você Jesus não é a expressão exata do Deus invisível; se você não crê que tudo foi criado por Jesus e para Jesus, e que tudo subsiste nele; se não aceita que em Jesus você encontra Deus em toda a sua plenitude; se não percebeu que ele foi o primeiro a ressuscitar de entre mortos por já ter feito a paz por seu sangue derramado na cruz, então você ainda não conhece Jesus.

Antes que venham os próximos 3 minutos ou as próximas três batidas de seu coração, certifique-se de pedir a Deus o perdão e a salvação por intermédio de Jesus. É de graça, pois o preço seria alto demais para você. Por isso Jesus pagou.

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Jesus no meio

João 20:19-20

Ao se colocar no meio de seus discípulos reunidos, Jesus lhes ensina uma lição. Em breve ele subiria ao céu e eles não poderiam mais contar com sua presença física e palpável como nesta reunião. Mas mesmo assim eles não deixariam de contar com sua presença em seu meio. Afinal, ele prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”(Mateus 18:20).

Embora algumas versões modernas tragam “onde dois ou três se reunirem em meu nome”, esta não é a forma correta. Dizer que “as laranjas se reuniram sobre a mesa” não é o mesmo que dizer que “as laranjas estão reunidas sobre a mesa”. No primeiro caso, as laranjas têm em si algum poder ou iniciativa. No segundo, algo ou alguém reuniu as laranjas, seja a cesta ou o dono da casa.

As pessoas na grande maioria dos agrupamentos cristãos de hoje “se reúnem”, isto é, se organizam em torno de uma ideia, doutrina, denominação ou líder. Será que isso é o mesmo que ser reunido ou congregado ao nome de Jesus. Será que é a pessoa de Cristo o imã que as atrai? Será ele a razão, o meio e o fim de estarem reunidas? A resposta a estas perguntas depende de outros questionamentos.

Se no meio não estiver Jesus — e quero dizer “no meio” como aquilo que realmente leva as pessoas a estarem ali — então não é uma reunião ao nome dele ou para ele. Mas o que poderia substituir Jesus como aquilo que atrai as pessoas para estarem ali? Outras atrações.

Você já reparou o quanto de entretenimento foi acrescentado às reuniões cristãs? Shows de bandas, cantores e dançarinos. Pregadores contratados com cachês milionários para “reavivar” as pessoas. Megaespectáculos com promessas de curas e milagres com hora marcada, como se a agenda de Deus estivesse ao dispor de seus organizadores. Será isso o que encontramos na Palavra de Deus? Julgue você.

Aqui os discípulos estão isolados do mundo exterior, as portas e janelas trancadas, e Jesus no meio. “Paz seja com vocês!” diz ele. “Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor” (João 20:20). E você, de que mais precisa para se alegrar? Será que as evidências da morte de Jesus por você — suas marcas nas mãos e no lado — já não são suficientes para despertar seu interesse nele? Será que é ele quem está no meio do lugar que você frequenta, ou é um pregador, uma banda ou um ritual?

Maria, irmã de Marta e Lázaro, escolheu a melhor parte: Jesus e sua palavra, nada mais. Toda a atividade de Marta — supostamente para servir a Jesus — só lhe valeu uma repreensão do Senhor. Ela estava perdendo a melhor parte. E você, tem se ocupado com pessoa de Jesus ou com as coisas de Jesus. Talvez você precise ver algo, como eloquência, luzes e sons. Se for este o seu caso, você não está sozinho: Tomé também era assim. Mas não é de Tomé que vamos falar nos próximos 3 minutos, e sim do protótipo da igreja que este capítulo representa.

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O protótipo

João 20:21-23

Assim como o Pai me enviou, eu vos envio”, diz Jesus aos discípulos. “E com isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebam os Espírito Santo’. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados” (João 20:21-24).

Três coisas ocorrem nesta cena. Primeiro, os discípulos são comissionados a ocuparem o lugar de um testemunho de Deus no mundo. Segundo, o Senhor sopra sobre eles e diz: “Recebam o Espírito Santo” (João 20:22), capacitando-os para essa comissão. Aqui não tem o mesmo caráter de Atos 2, quando o Espírito Santo viria habitar na igreja coletivamente e em cada crente individualmente.

Em terceiro lugar, ele diz: “Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados” (João 20:23). Judicialmente falando, só Deus pode perdoar pecados, porém administrativamente ele autoriza os discípulos a fazê-lo. Não entendeu? Digamos que alguém ofenda você e confesse a Deus, que garante a ele o perdão, pois “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). Porém falta restaurar a comunhão entre vocês, e é aí que entra o seu poder de perdoá-lo, não judicialmente, mas na esfera das relações humanas.

Esta reunião dos discípulos com as portas fechadas é um protótipo do que viria a existir alguns dias depois: a igreja de Deus na terra. Primeiro Israel deixaria de representar Deus neste mundo. A igreja tomaria esse encargo, não como o povo terreno com promessas terrenas e bênçãos materiais que Israel tinha sido, mas como um povo celestial com esperanças celestiais e bênçãos espirituais.

Segundo, Deus enviaria o Espírito Santo para habitar na igreja, coletivamente, e nos crentes, individualmente. Isto seria algo inédito, pois até então o Espírito estava com os santos, mas no período da igreja ele habitaria nos santos. Terceiro, seria delegado à igreja o poder de perdoar pecados administrativamente, ou seja, “ligar” e “desligar”, como em Mateus 18:18; introduzir na comunhão alguém considerado puro, ou excluir dela o impuro. Um exemplo? 1 Coríntios capítulo 5.

Jesus tinha celebrado a ceia com os discípulos em um cenáculo ou pavimento elevado, acima do nível do mundo. A reunião aqui é a portas fechadas. A igreja seria separada, nada teria a ver com a política, as organizações e os negócios do mundo. Estaria no mundo, sem ser do mundo. Finalmente, o mais importante: Jesus estaria no meio; seria ele o único e suficiente foco de atenção, e dele emanaria toda a autoridade na igreja. Ele seria o Senhor de fato. Será que é assim onde você está congregado?

Nos próximos 3 minutos Jesus repreende a incredulidade dos que querem ver para crer.

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Incredulidade

João 20:24-31

Tomé não estava na primeira reunião com os discípulos. Por onde andaria Tomé? Será que a notícia das mulheres que tinham visto Jesus não chegou até ele? No capítulo 24 do Evangelho de Lucas, os discípulos que Jesus encontra no caminho de Emaús já sabiam das mulheres que afirmavam terem visto Jesus ressuscitado. Então o que iam fazer em Emaús? A resposta em ambos os casos é: incredulidade.

Jesus repreende aqueles dois, dizendo: “Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” (Lucas 24:25-26). Não era nem uma questão de acreditar ou não nas mulheres, mas de crer em tudo o que os profetas tinham dito sobre a morte e ressurreição de Cristo; de crer na Palavra de Deus.

Agora é a vez de Tomé, nome que é sinônimo de desconfiança e incredulidade. Ele diz aos outros: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei” (João 20:25). Uma semana mais tarde, outra vez no primeiro dia da semana, os discípulos estão reunidos no mesmo lugar, e Tomé com eles.

Jesus aparece no meio deles, e fala a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia” (João 20:27). Tomé se derrete todo: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). Se na primeira reunião dos discípulos nós vimos uma figura da igreja, aqui, nesta segunda reunião, Tomé representa o remanescente judeu que irá crer no Messias após o arrebatamento da igreja, pois o judeu busca sinais, precisa ver parar crer.

O profeta Zacarias previu aquele momento: “Naquele dia procurarei destruir todas as nações que atacarem Jerusalém. E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12:9-10).

A repreensão a Tomé não terminou: “Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram” (João 20:29). É significativo que o texto continue dizendo que “Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome” (João 20:30-31).

Em que categoria você se encontra? Na dos que creem ser ver, ou na de Tomé que precisa ver para crer? Você se dá por satisfeito só de ler o registro dos milagres, que foram escritos para nós crermos, ou será que anda por aí em busca de milagres inéditos? Não seja Tomé; “pare de duvidar e creia” na Palavra de Deus.

Mas depois de crer, cuidado para não voltar a fazer as mesmas coisas que fazia. É o que acontece com os discípulos nos próximos 3 minutos.

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Vou pescar”

João 21:1-8

Ao crer em Jesus como seu Senhor e Salvador, uma nova vida começa em você. Ao contrário da religião, que espera que você se transforme numa pessoa melhor para ser aceito por Deus, o evangelho ensina que Jesus veio salvar pecadores, não pessoas boas. A única coisa que você pode apresentar a Deus para provar que é um candidato à salvação são os seus pecados. Basta crer nele para ser perdoado.

Mas depois de salvo pela fé em Cristo, o que acontece? Uma mudança de atitude. Você passa a gostar de coisas que não gostava, e a sentir aversão por coisas que antes apreciava. Novas crenças e valores passam a pautar sua vida como filho de Deus, reconhecendo Jesus como Senhor e dono de seu ser. Como diz na carta aos hebreus, você começa a se ocupar com as “coisas melhores em relação a vocês, coisas próprias da salvação” (Hebreus 6:9).

Mas e se você voltar a viver exatamente como vivia antes? Bem, parece ser o que encontramos os discípulos fazendo neste capítulo 21 do Evangelho de João. Aqueles ex-pescadores tinham sido transformados, por Jesus, em pescadores de homens. Eles ganharam novas prioridades e uma nova perspectiva, porém neste capítulo não vemos mudança alguma. Eles voltam a fazer o que faziam.

Sem perceber o quanto de influência pode exercer nos outros, Simão Pedro diz: “Vou pescar”. Os outros decidem fazer o mesmo: sobem no barco e voltam ao modo de vida que tinham antes de conhecerem a salvação. O resultado foi uma pescaria de uma noite inteira sem um peixe sequer. Assim somos nós, quando nos esquecemos de que, após crermos em Jesus, estamos sob nova direção. “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas” (2 Coríntios 5:17).

Já amanhecia quando voltavam e viram alguém na praia, mas não reconheceram que era Jesus. Quanto mais nos afastamos dele e da comunhão com as coisas de Deus, mais difícil fica reconhecermos que ele tem algo para nos dizer. E o Senhor tem uma pergunta para eles: “Filhos, vocês têm algo para comer” (João 21:5). A resposta óbvia é “Não”. Qualquer verdadeiro discípulo de Cristo passará fome se tentar viver longe dele e buscar satisfação nas coisas de sua velha vida.

Eles estavam a menos de cem metros da praia e podiam ouvir Jesus lhes dizer: “‘Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão’. Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes” (João 21:6). E você, de que lado tem lançado sua rede? Qualquer lado será o lado errado se não for o lado da vontade de Deus. João identifica que é o Senhor na praia, e Pedro, bem ao seu estilo, pula na água e vai ao encontro de Jesus, enquanto os outros chegam no barco.

Nos próximos 3 minutos os discípulos encontram companhia, conforto e alimento na presença de Jesus.

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Companhia, conforto e alimento

João 21:9-14

Os discípulos chegam à praia, ainda surpresos com resultado de terem jogado a rede seguindo as instruções de Jesus. Ali encontram Jesus, uma fogueira, peixes sobre as brasas e pão. Será que você é daqueles que acreditam que seu sustento é fruto do seu trabalho e não da providência divina? Se você tivesse nascido na Somália, quais teriam sido as chances de ter o emprego que tem?

Deus “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5:45), mesmo que eles não saibam disso. Porém, aquele que creu em Jesus como seu Salvador, que teve todos os seus pecados perdoados e foi recebido na família de Deus pela fé, deveria ao menos reconhecer quem o sustenta e quer dirigir sua vida. Alguns dias antes Jesus tinha ensinado os discípulos: “Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15:5).

Você reparou que neste encontro na praia é Jesus quem providencia tudo? As brasas, o peixe, o pão e até a rede cheia que irá sustentá-los por alguns dias. Não espere ir a Jesus pensando que é por seus esforços e ofertas que ele lhe dará em troca descanso e sustento. No Salmo 50 Deus deixa claro o que pensa de pessoas que tentam se aproximar de Deus na base da barganha: “Não tenho necessidade de nenhum novilho dos seus estábulos, nem dos bodes dos seus currais, pois todos os animais da floresta são meus, como são as cabeças de gado aos milhares nas colinas. Conheço todas as aves dos montes, e cuido das criaturas do campo. Se eu tivesse fome, precisaria dizer a você? Pois o mundo é meu, e tudo o que nele existe. Acaso como carne de touros ou bebo sangue de bodes? Ofereça a Deus em sacrifício a sua gratidão” (Salmos 50:9-14).

Tudo o que Deus espera de você é sua gratidão, mas antes é preciso que você tenha de que agradecer. Jesus convida: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11:28). E em Atos Pedro deixa claro que “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).

Venham comer” (João 21:12), convida Jesus. Ele tinha tudo preparado: companhia, conforto e alimento. Pedro talvez se lembre de outra fogueira recente no pátio da casa do sumo sacerdote, quando quis se aquecer na companhia dos inimigos de Jesus. Tudo dá errado na companhia das pessoas erradas. Você ainda se ilude pensando encontrar companhia, conforto e alimento em seus amigos incrédulos? Cuidado com o ilusório conforto das fogueiras dos homens. Pedro precisou até negar que conhecia o Senhor para não sofrer o repúdio dos inimigos de Jesus.

O desejo de Pedro voltar à velha vida, e arrastar os outros consigo pode ser o resultado de uma pendência em seu coração: ele ainda não se recuperou de ter falhado e negado que conhecia Jesus. O que acontece quando falhamos? Veja a resposta nos próximos 3 minutos.

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Uma tríplice restauração

João 21:15-17

Como você se sentiria se tivesse traído a confiança de seu melhor amigo e, em troca, recebesse dele só amor e consideração? Depois de Pedro estar alimentado e aquecido, Jesus decide aquecer também seu coração. O arrependimento de Pedro havia sido sincero, porém reservado. Jesus quer agora restaurá-lo publicamente.

_No original grego são utilizadas duas palavras diferentes aqui — “ágape”_e “filéo” traduzidas em nossas Bíblias pelo genérico verbo “Amar”. Mas a diferença é significativa, por isso vou transcrever a passagem com o sentido original: “Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de Jonas, você me ama mais do que estes?’ Disse ele: ‘Sim, Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti’. Disse Jesus: ‘Alimente meus cordeiros’. Pela segunda vez Jesus disse: ‘Simão, filho de Jonas, você me ama?’ Ele respondeu: ‘Sim, Senhor tu sabes que tenho afeição por ti’. Disse Jesus: ‘Pastoreie as minhas ovelhas’. Pela terceira vez, ele lhe disse: ‘Simão, filho de Jonas, você tem afeição por mim?’ Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez ‘Você tem afeição por mim?’ e lhe disse: ‘Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que tenho afeição por ti’. Disselhe Jesus: ‘Alimente minhas ovelhas’“ (João 21:15-17).

Antes de negar Jesus por três vezes, Pedro quis parecer mais fiel que os outros discípulos ao afirmar que estava pronto a morrer por ele. Confiança própria é fruto da carne, portanto veja se você não é desses que gostam de se gabar, fazendo alarde de sua fé e perseverança. A autoconfiança nas coisas de Deus costuma esconder o sepulcro caiado da hipocrisia dos fariseus.

Para tratar dessa autoconfiança de Pedro Jesus pergunta se ele o ama mais que os outros discípulos. Jesus sabe que era isso que havia no coração de Pedro, ao afirmar que estava disposto a morrer por Jesus, antes de negá-lo três vezes. Pedro se achava “O Cara”. Mas aqui Pedro não responde usando o amor “ágape”, o amor puro e desinteressado, mas o amor “filéo” da afeição fraternal. Agora ele aprendeu a não confiar em si mesmo. Na terceira vez é Jesus quem pergunta usando “filéo”, e não “ágape”: “Simão... você tem afeição por mim?”. Então Pedro reconhece a divindade e onisciência de Jesus: “Senhor, tu sabes todas as coisas” (João 21:15-17).

Pedro passa no teste e Jesus o trata com graça. Na restauração de Pedro é usada a mesma graça que cancela a pena no lago de fogo que o pecador merece, para lhe dar um lugar na glória que ele não merece. O Deus da Bíblia é um Deus de perdão e restauração para quem crê em Jesus. Pedro, que três vezes negou conhecer Jesus, deixa de receber o que merece — uma tripla reprovação — para receber o que não merece — uma tripla incumbência de cuidar dos cordeiros e ovelhas do rebanho.

Você sabe a diferença entre um cordeiro e uma ovelha? Não? Então veja nos próximos 3 minutos.

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O rebanho de Deus

João 21:15-17

Cada vez que Jesus pergunta a Pedro se este o ama, ele também faz um pedido. O primeiro é para que Pedro alimente os seus cordeiros. Os outros são para que ele pastoreie e alimente as ovelhas. Estas são também as incumbências dos que recebem do Senhor a responsabilidade de cuidar do rebanho. Cordeiros são os mais novos, frágeis e tenros, que precisam de leite. Ovelhas são mais crescidas. Um pastor ou ministro deve saber diferenciar umas das outras.

O significado destes dois termos — “pastor” e “ministro” — foi totalmente corrompido pelas religiões. O mesmo aconteceu com o termo “igreja”, que hoje é mais aplicado a uma denominação ou templo de tijolos do que a uma reunião de pessoas, em sua forma local, ou o corpo de Cristo, no seu aspecto universal.

Na Palavra de Deus você encontra três tipos de pastores. O primeiro é um dom, dado pelo Senhor. Na carta aos Efésios Paulo diz que Jesus, após subir aos céus, “designou alguns para... pastores... para que o corpo de Cristo seja edificado” (Ef 4:11-12). A atuação deste pastor é universal, para todo o corpo de Cristo, não fica restrita a uma assembleia local. O pastor não é necessariamente um pregador, já que sua função é cuidar.

Outro “pastor” na Bíblia é o que tem a responsabilidade administrativa de uma assembleia local, mas ele nunca aparece no singular, sempre no plural — “pastores”. São chamados também de “bispos”, “presbíteros” ou “anciãos”. Eles podem ou não ter o dom de pastor citado em Efésios 4. Tanto o “pastor”, o dom universal, como os “pastores”, na função local de supervisores, jamais são vistos na Bíblia dirigindo uma reunião de cristãos. É o Espírito quem usa os diferentes dons. Você também não encontra na Bíblia a formação, eleição ou ordenação de pastores, seja por cursos de teologia, congregações locais ou denominações.

Tanto o dom de “pastor” de Efésios 4, como o ofício identificado como “pastores”, “bispos”, “presbíteros” ou “anciãos”, são exercidos por meio do ministério de cada um, ou seja, eles são ministros de Deus, não de uma denominação. A palavra “ministro” também foi corrompida e transformada em sinônimo de cargo de liderança eclesiástica. Mas o seu significado é o de um servo ou escravo, cuja tarefa é servir. Pense no Senhor Jesus e você terá ideia de um perfeito Ministro. Ele ensinou: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos” (Marcos 9:35).

Finalmente, o terceiro tipo de pastor na Bíblia é aquele que o profeta Ezequiel chama de “pastores... que só cuidam de si mesmos” (Ez 34:2). São como os filhos de Eli, que roubavam as ofertas ao Senhor, ou como Diótrefes, que queria ser o mais importante em sua congregação. São descritos por Paulo como “egoístas, avarentos [ou ávidos por dinheiro], presunçosos, arrogantes... tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2 Timóteo 3:1-5). Destes devemos nos afastar.

Nos próximos 3 minutos o Senhor atende o desejo de Pedro.

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Sem fim

João 21:18-25

Depois de passar por uma sabatina, quando Jesus lhe perguntou três vezes se o amava, e lhe deu também uma tripla responsabilidade, Pedro fica sabendo que seu desejo será realizado. Que desejo? O de morrer pelo Senhor. Antes da crucificação, e antes de sua tripla negação, Pedro dissera estar pronto a morrer. Jesus lhe garante que será assim, com estas palavras: “_Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir”._O texto continua explicando que “Jesus disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus”(João 21:18-19).

A intenção de Pedro era boa, mas colocá-la em prática estava fora de seu alcance. O mesmo aconteceu com Moisés. Ele quis libertar o povo de Israel da escravidão, porém começou assassinando um egípcio. A intenção era boa, porém jamais poderia ser executada por seus esforços guiados pela vontade própria.

Depois de viver quarenta anos na corte de Faraó, aprendendo toda a ciência do Egito, Moisés foi obrigado a viver quarenta anos escondido para aprender a não confiar em si mesmo. Só então ele estava pronto para guiar o povo numa peregrinação de quarenta anos pelo deserto rumo à terra de Canaã.

Se Pedro tivesse morrido antes, teria sido para sua própria glória. Porém agora ele morreria para a glória de Deus. Paulo expressou bem qual deve ser o sentimento do cristão de glorificar a Deus na vida ou na morte: “Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:20-21).

Quando Pedro pergunta o que seria de João, Jesus responde: “Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa?” (João 21:22). Isto fez os discípulos pensarem que João não morreria, mas o texto esclarece que não foi o que Jesus quis dizer. João permaneceria vivo até a volta de Cristo porque a ele seria mostrada essa volta na revelação do Apocalipse. Antes de morrer em idade avançada, João teve o privilégio de ver Cristo voltar na visão que recebeu.

Este evangelho não tem começo nem fim, porque assim é Jesus: Deus eterno. Ele começou falando que “todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (João 1:3). Agora diz que “Jesus fez também muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem mesmo no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os livros que seriam escritos” (João 21:25).

Seria possível descrever tudo o que Jesus fez? Jamais. O profeta Isaías o chamou de “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). O Evangelho de João nos mostrou Jesus, Deus infinito e Homem acessível. O que você está esperando para crer nele? O que está esperando para dedicar sua vida a ele?

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Mario Persona é palestrante, professor e consultor de estratégias de comunicação e marketing e autor dos livros “O Evangelho em 3 Minutos - Mateus”, “Quero um refil!”, “Crônicas para ler depois do fim do mundo”, “Dia de Mudança” (também em inglês como “Moving ON”), “Marketing de Gente”, “Marketing Tutti-Frutti”, “Gestão de Mudanças em Tempos de Oportunidades”, “Receitas de Grandes Negócios” e “Crônicas de uma Internet de verão”. Todos eles podem ser encontrados em formato impresso nos endereços www.bookess.com e www.amazon.com e também em formato e-book em www.smashwords.com.

Nas horas livres o autor dedica-se a escrever e traduzir textos e livros sobre a Palavra de Deus. Estes são publicados em: 3minutos.net - O evangelho em 3 minutos (texto, vídeo e MP3) 3minutegospel.net - O evangelho em 3 minutos em inglês 3minutospodcast.blogspot.com - Podcast youtube.com/mp3minutos - Vídeos Evangelho em 3 Minutos respondi.com.br - Seleção de respostas sobre a Bíblia stories.org.br - Histórias de Verdade (inglês/português) stories.org.br/chaday - Comentários de N. Berry stories.org.br/doze.html - “Doze Cartas” - E. Dennett manjarcelestial.blogspot.com - Edificação, exortação e consolação aordemdedeus.blogspot.com - Livro “God's Order” - B. Anstey.

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Mario Persona participou também como autor convidado das coletâneas “Os 30+ em Atendimento e Vendas no Brasil”, “Gigantes do Marketing”, “Gigantes das Vendas”, “Educação 2007”, “Professor S.A.” e “Coleção Aprendiz Legal”, além de ter sido citado como “Case Mario Persona” no livro “Os 8 Pês do Marketing Digital”. Traduziu obras como “Marketing Internacional”, de Cateora e Graham, “Administração”, de Schermerhorn, “Liberte a Intuição”, de Roy Williams, além de diversos livros de comentários sobre a Bíblia.

É convidado com frequência para palestras, workshops e treinamentos de temas ligados a negócios, marketing, comunicação, vendas e desenvolvimento pessoal e profissional. Alguns temas são: Gestão de Mudanças Criatividade e Inovação Clima Organizacional Gestão do Conhecimento Comunicação Marketing e Vendas Satisfação do Cliente Oratória Marketing Pessoal Qualidade Vida-Trabalho Administração do Tempo Segurança no Trabalho Controle do Stress Meio-Ambiente Gostou deste livro? Entre em contato com o autor: Mario Persona contato@mariopersona.com.br

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