Justificados pela fé

João 8:37-50

Os judeus que conversam com Jesus tentam se justificar de várias maneiras. Além de apelarem para a linhagem de Abraão, eles também se comparam a outras pessoas e se consideram melhores do que a mulher adúltera, os nascidos de prostituição e os samaritanos.

Eles parecem até insinuar serem melhores do que Jesus. Afinal, não são “samaritanos endemoninhados”, como acusam Jesus de ser, e nem são nascidos de uma gravidez inexplicável. Até hoje os judeus chamam Jesus de “ben Panthera”, ou “filho de Pantera”, um soldado romano.

Gostamos de nos justificar pela comparação com outros piores do que nós. O problema é que a única justificativa plausível para alguém ser aceito por Deus é ser tão puro, santo e justo quanto o único Homem perfeito que já passou por aqui: Jesus. Assim como acontece com o perdão, que deve partir daquele que foi ofendido, a justificação também não pode partir de nós, mas de Deus.

Quando você crê em Cristo, você não é apenas perdoado, mas é justificado, isto é, considerado justo aos olhos de Deus, que passa a enxergá-lo através do que Cristo representa para ele. A justificação não muda o fato de você ser um pecador e nem diminui a gravidade do seu pecado. Ela altera a opinião que Deus tem de você, que passa de ímpio para justificado aos olhos dele. No perdão, Deus diz ao pecador: “Pode ir, você não me deve mais nada”. Na justificação, ele diz: “Pode vir morar comigo, você é idôneo”.

Mas como alguém pode mudar sua opinião em relação a um transgressor? Imagine um estudante na sala de aula que, sem motivo aparente, nocauteia com um soco o colega ao lado. Antes de encaminhar o agressor para a diretoria para ser expulso da escola, o professor encontra uma arma no bolso do rapaz desmaiado e fica sabendo que ele planejava matá-lo.

Imediatamente o agressor passa de vilão a herói aos olhos do professor. Não ocorreu nenhuma mudança na violência da agressão. O que mudou foi o conceito que o diretor passou a ter daquele aluno.

O capítulo 3 de Romanos diz que “ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei... pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:23-26).

Você só pode ser justificado por Deus através destas 3 coisas: a graça, o sangue e a fé. Aí eu pergunto: será que você está tentando ser justificado com base nos seus esforços ou se comparando com aquelas pessoas que considera piores que você?

Nos próximos 3 minutos Jesus revela que sempre existiu.

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Eterno

João 8:51-59

A palavra “Eterno” não faz muito sentido para nós, que nascemos e vivemos no tempo. Assim como os céus e a Terra, o tempo também foi criado e está intimamente ligado ao mundo material. A Bíblia afirma isso e Einstein também. Ele disse: “Supondo que toda matéria desaparecesse do mundo, então, antes da relatividade, acreditava-se que espaço e tempo continuariam a existir em um mundo vazio. Mas, de acordo com a Teoria da Relatividade, se matéria e movimento desaparecessem, já não haveria mais espaço ou tempo”.

Muito antes de Einstein, Agostinho escreveu: “Não há dúvida de que o mundo não foi criado no tempo, mas com o tempo”, e acerca de Deus, ele diz: “Teus anos permanecem ao mesmo tempo... Teus anos são um dia, e teu dia não é como nossa sequência de dias, mas é hoje”.

Imagine você o nó na cabeça dos judeus neste capítulo quando escutam Jesus dizer: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou” (João 8:58). Ele não diz “antes que Abraão existisse, eu já existia”, mas usa novamente a mesma expressão usada por Deus para se apresentar a Moisés: “Eu Sou”.

Isto revela que Jesus é Deus, o Filho Eterno, não sujeito ao tempo, ou pelo menos não mais do que naquilo que ele mesmo quis se sujeitar em sua relação com a criação. Este aspecto atemporal de Jesus pode ser visto no mesmo Evangelho de João, quando ele diz no capítulo 3: “Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu” (João 3:13). Veja que na passagem o “Filho do Homem”, que é o Filho Eterno em sua condição humana, desceu do céu, está no céu e, ao mesmo tempo, conversa na terra com Nicodemos. Quer mais? Então veja o capítulo 1 da carta aos Colossenses: Jesus “... é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis... Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Colossenses 1:15-17).

Em João 17 Jesus ora: “Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (João 17:5). O Filho Eterno já estava com o Pai antes que o tempo e a matéria viessem a existir. Em Hebreus diz que ele sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3). Além de ser o Verbo ativo da criação, Jesus governa as leis da física e mantém coesas as partículas que compõem a matéria.

Nosso capítulo termina dizendo que os judeus “pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se e, saiu do templo, passando pelo meio deles” (João 8:59). Como ele fez isso?

Nos próximos 3 minutos Jesus revela por que o cego nasceu assim.

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