A hora da ausência

João 8:21-25

Durante séculos os judeus tinham esperado pelo Messias, aquele que fora prometido por Deus por intermédio dos profetas. Era para o Messias que todos os textos do Antigo Testamento apontavam, seja de forma explícita ou em figuras. Agora o Messias está bem ali, na frente deles.

Mas eles não o reconhecem. Pior do que isso, estão determinados a matá-lo e Jesus sabe que conseguirão cumprir seu intento. Por isso agora ele fala de sua ausência, que aqueles judeus o buscarão e não o acharão. Para onde ele vai é impossível eles irem também.

Os judeus pensam que ele está falando de suicidar-se, mas Jesus fala de seu sacrifício e também da ressurreição e ascensão ao céu, seu lugar de origem. Se você alguma vez já se sentiu frustrado ao ver uma pessoa partir para sempre, sem que você tivesse a oportunidade de resolver alguma demanda com ela, vai entender o que está acontecendo aqui.

Jesus revela a eles que sua rejeição irá selar o destino de cada um deles de uma vez para sempre. Jesus voltaria para o céu; eles permaneceriam no mundo até morrerem e serem condenados ao lago de fogo. Mas o quê exatamente eles precisam fazer para não ter esse destino? O versículo 24 é bem claro: “Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados” (João 8:24).

A expressão “Eu Sou” foi usada por Deus ao se revelar a Moisés. Este indagou quem era o que falava com ele, e a resposta de Deus, em Êxodo 3:14, foi: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”. A expressão “Eu Sou” revelava a essência de Deus, aquele que existe em si mesmo, independente das coisas criadas. Jesus é Deus, é o “Eu sou o que sou”, e você também precisa crer nisto.

Outro detalhe importante desta passagem do Evangelho de João é a diferença entre o que Jesus diz nos versículos 21 e 24, uma diferença que você só encontra nas melhores versões da Bíblia. Primeiro ele diz aos judeus: “morrereis no vosso__pecado”, no singular. Depois ele diz: “morrereis em vossos__pecados”, plural.

Quando a Bíblia fala em “pecado”, no singular, está se referindo à nossa natureza pecaminosa, aquela que herdamos de Adão. Quando aparece no plural são os frutos dessa natureza, nossas ações realizadas independentes da vontade de Deus. Não existe solução para aqueles que saem desta vida em uma condição de culpados, tanto por sua natureza, ou “pecado”, como por seus Atos rebeldes, ou “pecados”.

O destino daqueles judeus foi selado ao não crerem em Jesus como o “Eu Sou”, o próprio Deus, aquele que tem em si mesmo a existência. Jesus se ausentaria deles e eles ficariam eternamente ausentes de Jesus. E você, qual é o seu destino?

Nos próximos 3 minutos Jesus fala do dia em que seria levantado por aqueles mesmos judeus que falavam com ele.

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Levantado

João 8:26-29

Este trecho revela um abismo entre Jesus e os judeus. Nada do que ele diz parece penetrar na mente deles. Sua incredulidade os torna impermeáveis à verdade. Mas Jesus diz que um dia eles iriam entender, embora nem por isso viessem a crer.

Ao falar que será levantado, Jesus prediz sua morte na cruz. No capítulo 3 deste evangelho ele já havia usado a mesma expressão, ao se comparar à serpente de bronze que Moisés levantou no deserto. Agora ele vai além, e diz: “Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou” (João 8:28).

Algumas traduções trazem “conhecereis__quem__eu sou”, mas o correto é “que__Eu Sou”, pois ele volta a usar aqui a mesma expressão que usou um pouco antes no versículo 24, e que Jeová também usou no Antigo Testamento ao revelar-se a Moisés. Ao dizer “saberão”, Jesus lança sobre eles a responsabilidade de terem conhecido a verdade e deliberadamente a terem descartado.

Aqueles judeus ainda veriam muitos milagres, inclusive a ressurreição de mortos como Lázaro. Além disso, quando Jesus fosse “levantado” eles veriam o dia se transformar em noite, a terra tremer e as pedras se partirem. O véu do templo se rasgaria, sepulcros se abririam e pessoas ressuscitariam e entrariam em Jerusalém para o assombro de muitos.

Finalmente, eles veriam o túmulo de Jesus vazio e mais de quinhentas testemunhas afirmando tê-lo visto ressuscitado. Mesmo assim continuariam inimigos da verdade. É de pessoas assim que a carta aos Hebreus fala no capítulo 6, que diz: “Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública” (Hebreus 6:4-6).

A passagem fala de apóstatas, pessoas que conheceram, provaram e participaram da verdade, mas não creram. Não são crentes que tropeçaram, mas pessoas que caíram dessa posição de grande privilégio. Pessoas que, apesar de terem à disposição todas as evidências para crerem em Cristo, voltaram suas costas para ele.

Conheço um europeu que se diz “pós-cristão”. Ele quer dizer que na Europa eles já passaram dessa fase. Se você também foi criado à sombra do cristianismo e se acha tão avançado que já passou dessa fase, sugiro que volte à fase anterior. Há mais esperança para um aborígene analfabeto enfiado nas selvas da Nova Zelândia, do que para um ocidental ilustre e bem educado que conheceu o evangelho e voltou suas costas para ele.

Nos próximos 3 minutos Jesus fala da verdade que liberta.

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