A videira verdadeira

João 15:1-6

O Salmo 80:8 diz: “Do Egito trouxeste uma videira; expulsaste as nações e a plantaste”. Atente para o fato de que uma vinha é plantada na terra. Então em Isaías 5:7 diz que “a vinha do Senhor dos Exércitos é a nação de Israel”. É preciso ter isto em mente para entender o que Jesus diz neste capítulo 15 do Evangelho de João. O que ele diz?

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (João 15:1). Israel falhou em seu papel de vinha ou testemunho de Deus para frutificar neste mundo. Deus então deixou Israel de lado e enviou o seu Filho ao mundo para ocupar esse lugar. Enquanto estava no mundo, Jesus era a videira verdadeira, o único capaz de dar fruto.

Aqui Jesus não fala de salvação, a qual não vem como recompensa por qualquer obra ou fruto de nossa parte. A salvação você só recebe de graça, pela fé em Jesus e em sua obra na cruz. Portanto o assunto aqui é a vida na terra, não no céu. Ele fala de fruto ou resultado, algo que só faz sentido enquanto estamos no mundo, não na glória.

Então ele segue falando: “Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele [o Pai] corta” (João 15:2). Quem apenas professa estar em Cristo, mas não é verdadeiramente nascido de novo, obviamente não faz parte dessa videira. Nada mais lógico que tal ramo seja excluído. Ele avisa: “Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados” (João 15:6).

Após dizer que o ramo que não dá fruto é tirada, pois Deus só quer o fruto real de uma vida nova, Jesus explica que “todo [ramo] que dá fruto ele [o Pai] poda, para que dê mais fruto ainda”(João 15:2). Quem já viu uma videira depois de podada se surpreende de como a planta fica despojada de folhas e ramos desnecessários. Tudo o que resta é o tronco principal e alguns galhos mais robustos. Desaparecem os ramos que não servem para nada e as folhas, que formam a beleza exterior da planta. Se isto não for feito, não haverá fruto naquela estação.

E como os ramos são limpos ou podados? Jesus responde: “Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado” (João 15:3). É pela leitura da Palavra de Deus que o cristão é mantido limpo das contaminações, aparências e futilidades desnecessárias. Mas não basta ler a Bíblia. É preciso estar em comunhão com a videira, da qual vem a seiva que dá vida aos ramos.

É o que Jesus diz aqui: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15:4-5).

E já que estamos falando de “fruto”, que tal irmos até a carta de Paulo aos Gálatas para ver um pouco mais sobre o assunto? Nos próximos 3 minutos.

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Fruto

Gálatas 5:22

Muita gente lê o versículo 22 do capítulo 5 da carta aos Gálatas colocando um “s” na palavra “fruto”. Mas veja o que diz o texto: “o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22-23). Percebeu que “fruto” é singular? A palavra aparece no singular também no capítulo 15 de João, quando Jesus diz: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (João 15:5).

Na carta aos Gálatas, as palavras amor, gozo, paciência etc. são as qualidades do fruto do Espírito na vida daquele que crê em Jesus e está conectado à videira verdadeira. Talvez você diga que conhece muita gente amorosa, paciente, benigna, mansa e equilibrada que nunca creu em Jesus. Sim, algumas dessas qualidades podem ser encontradas naturalmente nos seres humanos e até nos animais.

Mas o assunto aqui não são as características naturais, e sim o fruto do Espírito de Deus, ou as nove facetas que compõem o caráter cristão. As três primeiras são interiores: amor, gozo e paz. Depois temos três exteriores, de nossa relação com as pessoas: paciência, benignidade e bondade. As três últimas, fé, mansidão e domínio próprio, falam de nossa relação com Deus. Junte tudo e você tem a expressão de como Jesus é.

Em Gálatas 2:20 Paulo revela como ele era capaz de dar esse fruto: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Percebe que a vida cristã não é uma lista de leis e regras, mas a expressão, em nós, daquilo que Cristo é em si mesmo?

Você pode ter características naturais, como amor, paciência ou mansidão, e até desenvolver mais uma do que outra, pois são independentes. Mas quando o assunto é o fruto do Espírito em nós, todas elas formam um conjunto harmônico, um fruto perfeito. Pense numa tangerina com gomos de diferentes tamanhos e você terá uma aberração, não um fruto perfeito. O fruto do Espírito no cristão traz todas essas qualidades em igual medida.

Perceba também que existe uma grande diferença entre um fruto artificial, de plástico e inerte, e um fruto natural, vivo e cheiroso. O primeiro é produzido numa fábrica pelo esforço humano. O outro cresce naturalmente, desde que esteja recebendo continuamente a seiva da árvore que o produz. Agora vai fazer muito mais sentido para você o que Jesus disse no capítulo 15 de João: “Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15:4-5).

Nos próximos 3 minutos, tudo o que você quiser, Deus fará.

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