A Base Moral da Oração

Você já esteve alguma vez em uma reunião de oração onde um varão de joelhos se põe a explicar princípios, desenvolver doutrinas, soando mais como um pregador do que como um necessitado? E certamente foi questionado se estava falando a Deus ou às pessoas.

Já esteve em algum lugar onde a vida espiritual parece tão estéril, onde nunca se ouve de uma conversão e onde um formalismo nocivo tenha sido estabelecido?

Já escutou orações extensas, indefinidas e tão apáticas que o fazem cansar e fazem com que a reunião não tenha sentido nem poder?

Já desejou que algumas vezes as pessoas fizessem orações curtas, fervorosas e específicas pedindo o que querem e esperando pelo que pedem? Talvez se pergunte como se poderia conseguir isto.

Há porções bíblicas que nos dizem como orar, expressar nossa necessidade e depois esperar a benção. Há uma base nas Escrituras onde estão as condições para a oração. Podemos alcançar os mesmos tesouros dos céus, para nosso próprio benefício, o da nossa família, para toda a igreja do Senhor e para a vinha de Cristo.

A palavra de Deus nos diz: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7). “Amados, se o nosso coração nos não condena, temos confiança para com Deus; e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a sua vista” (1 João 3:21,22). Quando o apóstolo desejava que os crentes orassem por ele, apresentou-lhes a condição moral de seu pedido dizendo: “Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente” (Hebreus 13:18).

Esses versículos ensinam que a oração efetiva se baseia em um coração obediente, uma mente limpa e uma boa consciência. Se não estamos em comunhão com Deus, se não permanecemos em Cristo, se Seus santos mandamentos não nos governam, se não somos honestos de coração, como podemos esperar as melhores respostas às nossas orações? Estaríamos fazendo o que Tiago diz: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para gastardes em vossos deleites” (4:3). Como pode Deus, sendo um Pai Santo, conceder-nos tais petições? Impossível!

Necessitamos reconhecer a base moral em que apresentamos nossas orações. Como podia o apóstolo Paulo pedir aos irmãos que orassem por ele se não tivesse uma boa consciência, um coração honesto e uma mente limpa? Isto nos demonstra claramente o desejo de Paulo de viver honestamente em tudo. E o nosso?

Coração e Mente

Podemos cair no hábito de pedir a outros regularmente, que orem por nós, sem dar a isto a devida importância. Não há nada mais precioso saber que o amado povo de Deus está orando por alguém. Mas, damos a devida importância à base moral? Quando dizemos “Orem por nós, irmãos”, podemos dizer na presença dAquele que examina os corações, “pois confiamos que temos boa consciência, desejando conduzir-nos bem em tudo?” Da mesma maneira, quando nos inclinamos diante do trono de graça temos as mãos limpas e um coração honesto que não nos condena? Permanecemos em Cristo verdadeiramente e cumprimos Seus mandamentos? Estas perguntas nos examinam. Vão ao mais profundo do coração, às verdadeiras raízes das fontes morais do nosso ser. Portanto é bom que nossas orações nos examinem espiritualmente. Há muita falta de realidade em nossas orações. Há uma falta triste de base moral, uma grande quantidade de “más petições” ou “petições ao ar” que fazem com que nossas orações não tenham poder nem efetividade. Davi disse: “Se eu atender a iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Salmos 66:18). Que grandioso! Nosso Deus quer a realidade das coisas. Ele deseja a verdade. É verdadeiro conosco. Pede que venhamos a Ele como somos na realidade, com aquilo que verdadeiramente buscamos.

Freqüentemente, nossas orações particulares e públicas não são assim! Nossas orações são mais parecidas com discursos do que com petições; mais como exposições doutrinais do que como expressões de necessidade. É como se quiséssemos explicar os princípios a Deus e dar-Lhe grande quantidade de informação.

Estas coisas dão uma influência desalentadora a nossas reuniões de oração e roubam a seu frescor, interesse e valor. Os que sabem o que é a oração, que se dão conta e experimentam o seu valor, vão ao serviço de oração para orar, não para escutar discursos, conferências e exposições de pessoas que estão de joelhos. Para eles a reunião de oração é o lugar de expressar as necessidades e esperar a benção!

Este é o lugar onde se expressa a debilidade e se espera o poder. Esta é a idéia deles do lugar onde se costuma orar. Quando estes cristãos vêm ali, não estão dispostos nem preparados para ouvir longas pregações nas orações. Isto está escrito claramente porque se sente uma profunda falta de realidade, sinceridade e verdade em nossas orações e reuniões de oração. O que pode ser mais doloroso do que escutar a uma pessoa de joelhos explicar princípios e desenvolver doutrinas? A pessoa está falando a Deus ou a nós? Se estiver falando com Deus, nada pode ser mais irreverente e profano que tratar de explicar destas coisas a Ele. Se a pessoa estiver se dirigindo a nós, então, não é oração e o mais rápido que se levante da “oração” tanto melhor porque seria mais proveitoso que desse uma conferência de pé e nós em nossos assentos.

Ajoelhar-se Para Orar

Devemos permanecer assentados durante momentos santos e solenes de oração? Reconhecemos que a grande necessidade na oração é ter a atitude correta no coração. Sabemos que muitos dos que vão às reuniões de oração são de idade avançada, estão enfermos, delicados e que não podem se ajoelhar por períodos longos, se é que podem fazê-lo. Em outros casos, há falta de espaço para ajoelhar-se.

Estes são assuntos que requerem soluções práticas. Sem dúvida, há uma lamentável falta de reverência em muitas reuniões de oração. Tratemos de ajoelhar-nos sempre que nos seja possível. Isto expressa reverência. O bendito Mestre, “pondo-se de joelhos, orava” (Lucas 22:41). O apóstolo Paulo disse o mesmo. “E havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles” (Atos 20:36).

As Condições Morais da Oração

Que diz a palavra de Deus das condições morais da oração? Abra sua Bíblia em Mateus 18:19 : “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus”.

Estar de Acordo na Oração

Aqui aprendemos que uma das condições para nossas orações é a unanimidade – acordo sincero e feito em amor – completa unidade de mentes. A verdadeira força das palavras é “Se dois de vós concordarem” farão um só som. Não deve haver nenhum sonido desagradável, nada discordante.

Quando nos reunimos para orar pelo progresso do evangelho, devemos estar unidos com uma só mente, para poder esperar que as pessoas se salvem nas reuniões. Diante de Deus devemos fazer um só som. Não serve que cada pessoa tenha um pensamento diferente. Devemos vir ao trono de graça em santa “harmonia” de mente e espírito se queremos uma resposta de acordo com Mateus 18:19.

Isto é de uma importância moral imensa, especialmente em relação às reuniões de oração. As orações nas reuniões de oração não devem ser feitas sem razão e sem propósito. Devemos nos reunir com um propósito definido em nossos corações para poder esperar todos juntos em Deus. Em Atos do Apóstolos, no capítulo 1 nos diz que os primeiros discípulos, “perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” (versículo 14). Em Atos 2 lemos, “E cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (versículo 1).

Estavam esperando o dom do Espírito Santo de acordo com as instruções do Senhor. Eles receberiam a promessa de Deus. O Consolador viria. Ao invés de esperarem sem orar, exatamente esta era a razão de fazê-lo. Oravam unânimes em um lugar. Estavam completamente de acordo. Todos tinham um propósito definido em seu coração. Estavam esperando a promessa do Espírito Santo e continuaram esperando unânimes até que chegou! Todos, homens e mulheres estavam cativados por um só objetivo. Dia após dia esperaram em acordo santo, em alegre harmonia, com fervor, até que se lhes deu o poder prometido do alto.

Não deveríamos nós fazer o mesmo? Infelizmente, nas reuniões de oração hoje em dia, há uma falta grande deste princípio de unanimidade e de ter um só lugar. Não temos que pedir que o Espírito Santo venha por que já veio, mas sim temos que pedir a manifestação de Seu poder em nossas reuniões. Unanimidade de coração e desejo em nossas petições coletivas não é o mesmo que uniformidade de petição. Este último seria um caso em que todos aqueles que participam de uma reunião de oração pedem as mesmas coisas, como se repetissem uma fórmula mágica. Verdadeira unanimidade, como a que neste artigo se promove, seria o caso de um grupo de crentes que sentem um mesmo desejo de glorificar ao Senhor Jesus Cristo e que, em todas as suas petições, têm esse objetivo em vista.

Pode haver uma grande variedade e diversidade de interesses e petições expressadas – mas todas sobre a base do mencionado acordo, ou harmonia de espírito e ânimo.

Suponhamos que estejamos num lugar onde reina a morte espiritual e as trevas. Onde nunca se ouve nem se quer de uma conversão. Onde foi estabelecido um formalismo deprimente. Que se pode fazer?

Ainda que somente dois crentes se dêem conta da condição das coisas, devemos nos reunir unânimes e derramar nosso coração diante de Deus. Esperemos unidos nEle, em santo acordo, com um firme propósito, até que Ele mande chuvas de benção sobre o lugar seco e estéril. Não cruzemos os braços nem digamos, “Ainda não chegou a hora”, nem nos rendamos ao brotar de uma teologia distorcida que se chama fatalismo e que diz: “Deus é soberano e faz tudo de acordo com a Sua própria vontade, de modo que só nos resta esperar Sua hora. O esforço humano é inútil. Não podemos conseguir um avivamento. Devemos nos preservar da pura emoção.”

Tudo isto parece legítimo porque é verdade até certo ponto, mas é apenas uma meia verdade. Não há nada mais perigoso que uma meia verdade! É muito mais perigoso do que o erro completo! Muitos bons cristãos tropeçam e se desviam por “meias verdades”, ou verdades mal aplicadas. Muitos servos fiéis de Deus têm se esfriado, desanimaram e até têm saído do campo da colheita pela insistência sem sabedoria em certas doutrinas ou ensinamentos que teriam algo de verdade mas não toda a verdade de Deus.

Nada pode tocar ou debilitar a verdade de Mateus 18:19. Permanece com toda sua benção, liberdade e beleza ante os olhos da fé . É clara e não pode haver equívoco. “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus”. Aqui está nosso certificado para nos reunirmos em oração para qualquer coisa que esteja em nosso coração.

Nos entristecemos pela frieza, esterilidade e apatia espiritual ao nosso redor hoje em dia? Nos desanimamos pelo aparente ausência de fruto da pregação do evangelho, a falta de poder na mesma pregação e a falta de resultados? Nos desencoraja a esterilidade, a preguiça, a tristeza, o desânimo de todas as nossas reuniões; seja na Mesa do Senhor, ante o trono de justiça, ou ao redor da fonte da Santa Escritura? Devemos ficar de braços cruzados com fria indiferença, dar-nos por vencidos em desespero, queixarmos, murmurarmos, enfurecermos ou irritarmos? Não! Devemos nos reunir unânimes em um lugar, nos prostrarmos diante de Deus e todos derramarmos nosso coração como se fosse um só coração e suplicar Mateus 18:19.

Este é o grande remédio, a fonte que não falha. Deus é soberano e por isso é que devemos esperar nEle. O esforço humano é inútil e por isso é que havemos de buscar o poder divino. Por nós mesmos não podemos alcançar um avivamento e por isso é que devemos buscá-lo de joelhos. Devemos ter cuidado da pura emoção, mas ao mesmo tempo deve-se cuidar da fria indiferença, morta e egoísta.

Considerando que Cristo está à destra de Deus, o Espírito Santo está em nossos corações, temos a Palavra de Deus em nossas mãos e considerando que Mateus 18:19 brilha diante de nós, não há nenhuma desculpa para a esterilidade, o adormecimento, nem a indiferença. E tão pouco há desculpa para que as reuniões não sejam de proveito, nem para não haja frescor em cada reunião e nem para que falte o fruto de nosso serviço. Esperemos em Deus em acordo santo. Então, seguramente virá a benção.

Oração de Fé

Em Mateus 21:22 encontramos outra condição moral essencial para a oração efetiva. “e tudo que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.” Esta é uma afirmação maravilhosa! A fé lhe abre a “tesouraria” do céu. Não há limite. Nosso bendito Senhor nos assegura que vamos receber o que pedirmos com fé simples.

Tiago nos dá uma segurança parecida quando pedimos sabedoria, “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa” (Tiago 1:5-7).

Destas duas passagens, aprendemos que se Deus vai responder nossas orações, devem ser orações de fé. Uma coisa é dizer palavras em forma de oração e outra muito diferente é orar com fé simples, com a segurança completa, clara e firme de que teremos o que pedirmos. Muitas das que chamamos orações, não passam das “nuvens” do céu. Para alcançar o trono de Deus, devem nascer das asas da fé e sair de corações unidos e mentes que estejam de acordo com um santo propósito de esperar em Deus por tudo aquilo que necessitamos.

Não é certo que nossas orações e reuniões de oração são muito deficientes nesse sentido? Esta deficiência se manifesta quando nossas orações têm tão pouco resultado. Não deveríamos examinar e nos dar conta da realidade até entendermos estas duas condições da oração, o acordo ou unanimidade, e a confiança? Como Cristo disse que se duas pessoas se põe de acordo para pedirem com fé - e podem pedir o que quiserem - porque não vemos respostas mais abundantes à nossas orações? A culpa é nossa!

Em Mateus 18:19 o Senhor fala de uma congregação menor (de dois) mesmo que com certeza a promessa também se aplique a grupos maiores. O ponto essencial é que, mesmo que existam somente dois, devem estar completamente de acordo e convencidos de que receberão o que pedem. Se estivéssemos certos disso, nossas reuniões de oração também teriam um tom e um caráter muito diferentes.

Que grande diferença haveria nas reuniões, se estes fossem o resultado de um acordo feito em amor e com sinceridade entre dois ou mais crentes que juntos chegam para esperarem em Deus algo específico, e depois perseverarem na oração até receber a resposta. Quão pouco se vê isto! Pode ser que todas as semanas estejamos na reunião de oração, mas diante de Deus, não deveríamos nos preocupar até que ponto temos estado de acordo em um ou vários assuntos para colocarmos diante do trono da graça?

O Amigo Insistente Que Recebeu o Que Fora Buscar

O senhor Jesus disse aos discípulos, “Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia noite, lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho o que apresentar-lhe; se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama: não posso levantar-me para tos dar. Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação e lhe dará tudo o que houver mister. E eu vos digo a vós: Pedi e dar-se-vos-á: buscai, e achareis: batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á” (Lucas 11:5-10).

Estas palavras são muito importantes posto que são parte da resposta do Senhor ao pedido dos discípulos, “Senhor, ensina-nos a orar”. É melhor citar as palavras exatas de nosso bendito Senhor, ao invés de ensinar as pessoas a orar. E no entanto, até onde as nossas orações e nossas reuniões de oração chegam a ser semelhantes a este modelo divino que o Senhor mesmo deu?

Oração Específica

Quais são as condições morais que nos apresenta Lucas 11? Em primeiro lugar, nos ensina a sermos específicos em nossas orações. “Amigo, empresta-me três pães” é a expressão de uma necessidade verdadeira. Há um desejo em sua mente e em seu coração, e se limita a esse único desejo! Não é uma vasta explicação, com rodeios, sem propósito, em que tudo se menciona. É clara, direta e enfática: Empresta-me três pães; é um caso urgente e não posso ir-me sem eles!

Tudo parece desanimador. À “meia-noite” não é uma boa hora. O amigo já se havia deitado, fechado a porta, os filhos já haviam se deitado, não podia levantar-se. Entretanto, a necessidade específica se repete: tem que haver três pães.

Esta é uma grande lição prática que pode aplicar-se a nossas orações e reuniões de oração. Eles padecem de orações extensas, cheias de rodeios e sem nenhum propósito. Muitas vezes mencionamos coisas pelas quais verdadeiramente não sentimos a necessidade e não temos nenhuma intenção de esperar resposta. Certo é que freqüentemente não teríamos uma resposta, se ao término de nossas reuniões de oração nos aparecesse o Senhor e nos dissesse: “ na verdade, o que é que concretamente querem que Eu vos faça?”

Se nós fossemos à reunião de oração com algo específico em nosso coração que compartilhássemos com nossos irmãos, faria com que nossas reuniões tivessem grande fervor, frescor, brilho, realidade e poder. Alguns de nós parece pensar que é necessário fazer uma longa oração mencionado toda a classe de coisas, sendo a maioria correta e boa; mas a mente se confunde com tanto. Quanto melhor é levar ao trono uma só petição, implorar com afinco e depois esperar para que o Espírito Santo possa guiar a outros de igual maneira para orar pela mesma ou outra coisa igualmente definida.

As orações extensas são cansativas. Em muitos casos são somente incômodo. É claro que não devemos colocar nenhum limite ao Espírito Santo! Mas simplesmente estamos comparando ao que encontramos nas Escrituras com o que temos em nossas reuniões de oração (Leia Mateus 6; João 17; Atos 4:24-30). A norma da Bíblia não são orações extensas. Em Marcos 12:40 se refere a elas em termos condenatórios. As orações fervorosas e com propósito dão um frescor e interesse à reunião de oração; enquanto que as orações longas e forçadas dão uma influência desalentadora sobre todos os presentes.

Orações Insistentes

Outra condição moral importante da oração em Lucas 11 é a importunação ou insistência. O homem atinge seu objetivo por sua grande insistência. Não se deu por vencido: tinha que levar os três pães. A insistência prevaleceu ainda mais, onde os direitos da amizade não eram suficientes. O homem estava decidido a alcançar seu propósito. Tinha uma grande necessidade e não ia aceitar uma resposta negativa.

Como devemos entender esta grande lição? É que Deus sempre nos responderá de “dentro”. Nunca nos dirá, “Não me moleste”, ou “Não posso levantar-me para fazê-lo”. Sempre é nosso amigo verdadeiro e sempre está pronto; é um Dador alegre e abundante. Contudo, todavia Ele nos anima a insistir. No entanto, em nossas reuniões de oração há uma grande falta disto, assim como de especificar o que queremos.

os dois vão juntos. Quando o que se busca é tão definido como “três pães”, em geral haverá insistência ao pedir, teremos o firme propósito de conseguí-lo. Porém, freqüentemente, não nos portamos como pessoas que pedem o que querem e depois esperam pelo que pediram. Por isso nossas reuniões se tornam apáticos, sem propósito, sem poder. E somente são reuniões para falar.

A Presença Nas Reuniões de Oração

Em alguns casos o povo do Senhor se ausenta porque nossas reuniões de oração se caracterizam por serem extensos, cansativos, sem propósito, cheios de orações que são pregações. Ao invés de sentir-se refrescado, consolado e fortalecido, se cansa, sofre e fica impaciente. Por isso, as pessoas preferem não ir. Pensam que é muito mais proveitoso passar esse tempo no particular de seu próprio quarto onde podem derramar seu coração perante o Senhor em oração fervorosa, do que ir a uma “reunião de oração” onde se cansam com o canto sem poder dos hinos, ou com extensas orações-sermões.

É isto que se deve fazer? Esta não é a forma de resolver o problema que temos estado abordando. Já que é bom reunir-se para orar, então não é correto que ninguém falte por causa da debilidade, fracasso, ou da tolice de alguns dos participantes da reunião. Mas se todos os membros verdadeiramente espirituais não forem às reuniões por esses motivos, que seria da reunião de oração? Mesmo que não tenhamos uma participação audível na oração, sempre podemos ser de muita ajuda na reunião ao esperar em Deus com o espírito correto.

Vamos às reuniões por outros motivos e não somente por nossa comodidade, proveito e benção. Devemos pensar na glória do Senhor. Devemos buscar fazer sua bendita vontade e em toda forma possível tratar de promover o bem de outros. Nenhum destes fins podem ser alcançados se intencionalmente nos ausentarmos do lugar de oração.

É certo que às vezes há coisas que impedem de estarmos presentes: enfermidade, trabalhos domésticos e outras coisas que ocupam o nosso tempo. Mas é um fato que aquele que se ausenta da reunião de oração deliberadamente está em mal estado! O cristão saudável, alegre e fervoroso estará na reunião de oração!

Orações Perseverantes

Para encontrar outras destas condições morais, abram Lucas 18:1-8. “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem. Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva, e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça”.

Aqui temos a importante condição moral da perseverança. Os homens deveriam sentir “a necessidade de orar sempre, e nunca desfalecer”. Isto está muito relacionado com a necessidade de orar de forma específica e insistente. Queremos algo e não podemos viver sem ele. Esperamos em Deus com insistência, unidos, crendo e perseverando, até que amorosamente Ele nos dá a resposta. Podemos estar certos de que sempre o fará se a base e as condições morais se mantiverem apropriadamente.

Mas, devemos perseverar! Não devemos desanimar e dar-nos por vencidos se a resposta não vem tão rápido como esperávamos. Pode ser que a Deus agrade exercitar nossa fé ao nos manter esperando nEle dias, meses e até anos. Tal exercício é bom. É moralmente saudável. Tende a fazer-nos mais genuínos. Nos leva às raízes das coisas. Por exemplo, olhe Daniel. Por três semanas Deus esteve exercitando a fé de Daniel, “Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas completas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram três semanas” (Daniel 10:2,3).

Tudo isso era para o bem de Daniel. Havia grande bênção no exercício espiritual que Deus deu a este fiel servo, durante este tempo. Note cuidadosamente que desde o início da espera, Deus desde seu trono já havia mandado a resposta à oração de Daniel. “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. Agora vim, para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias, porque a visão é ainda para muitos dias” (Daniel 10:12-14).

Daniel estava sofrendo, castigando-se a si mesmo e esperando em Deus. O mensageiro angelical já estava a caminho com a resposta. Deus permitiu que o inimigo (Satanás) o estorvasse, mas Daniel continuou esperando. Continuou orando sem desfalecer e a resposta chegou a seu devido tempo.

Aqui há uma lição para nós. É possível que nós também tenhamos que esperar em santa atitude e em espírito de oração por um vasto tempo; mas daremos conta que este tempo de espera é de muito proveito para nós. Muitas vezes nosso Deus em sua sabedoria e fidelidade, ao tratar conosco, vê que é melhor reter a resposta somente para provar a realidade de nossas orações. O importante é que o Espírito Santo tenha colocado um objetivo em nossos corações, um propósito para que possamos colocar o dedo da fé sobre alguma promessa específica da Palavra, e depois, perseverar na oração até receber o que necessitamos. “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisso com toda a perseverança e súplica por nossos santos” (Efésios 6:18).

É uma pena que nos falte tanto de perseverança, como também sermos específicos e insistentes, que faz com que nossas orações sejam débeis e nossos serviços de oração frios. Não nos reunimos com um propósito definido e portanto não somos insistentes nem perseveramos.

Em suma, nossos serviços de oração, com freqüência são somente reuniões de rotina, aborrecidos, frios e mecânicos, que fazem com que nosso espírito fique abaixo de um peso corporal sem nenhum proveito.

Resumo

Este livrete está claro e é forte. Fazemos um apelo a toda a igreja do Senhor a que diante de Deus enfrente com sinceridade a esta grande necessidade. Sentimos a falta de poder em nossas reuniões públicas? Porque há tempos estéreis ante a mesa do Senhor? Porque o aborrecimento e debilidade na celebração desta preciosa festa que deveria sacudir as partes mais profundas de nosso ser redimido?

Por que há falta de poder e edificação em nossos estudos bíblicos? Por que a falta de fruto em nossos serviços? Por que é que a palavra não chega a alma das pessoas? Por que há tão pouco poder em nossas reuniões?

Irmãos amados no Senhor, não estejamos satisfeitos com a presente situação. Fazemos um apelo a todos os que vêem a verdade destas palavras, a que se unam em acordo e em oração fervorosa. Venhamos como um só homem e inclinemos ante o trono de misericórdia. Esperemos em Deus com perseverança para que dê um avivamento à sua obra, ao progresso do evangelho e a colheita, e a edificação de Seu povo.

Que sejam nossas reuniões de oração verdadeiros reuniões de oração, o lugar para expressarmos a necessidade e esperarmos bênção. Permitamos que estas reuniões sejam o lugar onde o povo de Deus se reúne unânime para agarrar-se ao trono de Deus, para entrar nos verdadeiros tesouros dos céus e tomar tudo o que quer para si mesmo, para sua família, para toda a igreja de Deus e para a vinha de Cristo.

Este é o verdadeiro modelo de uma reunião de oração escritural. Deus permita que o povo de Deus em todos os lugares abram os olhos. Que o Espírito Santo nos comova e imprima o valor, a importância e a necessidade urgente de estarmos unidos, de crermos, sermos específicos, de insistirmos e perseverarmos em todas as nossas orações e reuniões de oração!